Presos advogados acusados de desviar recursos no PR

A Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas do Paraná prendeu hoje dois advogados, um funcionário do Poder Judiciário e mais três pessoas sob acusação de terem se apropriado indevidamente de recursos depositados em contas judiciais. Outro funcionário do Judiciário e uma pessoa que fornecia uma conta pessoal para receber o dinheiro são procurados. A delegacia estima que eles se apropriaram de pelo menos R$ 1 milhão.

EVANDRO FADEL, Agência Estado

28 de junho de 2011 | 17h36

Segundo o delegado Cassiano Lourenço Aufiero, o volume de recursos pode ser maior, pois a quadrilha estaria agindo há pelo menos dois anos na 2.ª Vara Cível de Curitiba. "Tem possibilidade de ter ocorrido em outras, mas nós fechamos esta quadrilha", afirmou Aufiero. Ele acentuou que os juízes que concederam alvarás para a liberação dos valores depositados foram induzidos a erro pelos funcionários do Judiciário.

De acordo com a polícia, os advogados faziam petições para liberação de valores depositados judicialmente em ações sobre as quais não tinham qualquer participação. De posse desse documento, os dois funcionários preparavam o processo que era apresentado ao juiz como se fosse autêntico. Nele eram colocados números de contas dos outros cinco integrantes da quadrilha. "O Judiciário, totalmente levado a erro, concedia o alvará e o numerário ia para a conta do laranja", afirmou.

Segundo o delegado, tão logo o Judiciário percebeu que poderia haver irregularidade, visto que alguns alvarás possuíam número duplicado ou falso, a polícia foi acionada. Aufiero disse que, com o dinheiro obtido de forma irregular, a quadrilha abriu lojas, comprou carros e fez viagens ao exterior. A Justiça já determinou bloqueio de oito contas bancárias que têm R$ 200 mil.

Foram presos os advogados Luiz Fernando Cachoeira e Ioneida Ilda Veroneze, o funcionário do Judiciário Douglas Teodoro de Souza, além de Dejacir dos Santos Rodrigues e Neusa Brocchier Cachoeira, mãe do advogado. Estão foragidos o funcionário do Judiciário Everson Ricardo Prussak e Luiz Marcelo Seer. De acordo com investigadores, os presos ainda não haviam apresentado advogados até por volta das 17 horas.

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