Presos acusados de invadir fazenda de fraudador da Sudam

Seis líderes de agricultores acusados de comandar invasões de terra na região da Transamazônica, no sudoeste do Pará, foram presos hoje por policiais civis e militar e levados para a delegacia de Altamira. Segundo a polícia, eles comandaram a invasão da Fazenda Perfil, supostamente de propriedade do empresário Danny Gutzeit, acusado de participar de um esquema de fraudes na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Ele é concunhado do ex-senador Jader Barbalho. Entre os invasores, estavam 120 peões que haviam sido contratados por Gutzeit para desmatar a fazenda e transformá-la na maior plantação contínua de cacau do mundo. Os peões dizem ter feito o trabalho, mas alegam que até hoje não receberam qualquer pagamento. Durante a operação para retirar os agricultores da fazenda, segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), os policiais teriam incendiado os barracos e abusado da violência. A CPT acusa a polícia da região de estar defendendo os interesses de poderosos envolvidos com desvio de dinheiro público. A polícia rebate as acusações, dizendo que apenas cumpriu a lei.Gutzeit é acusado por seis procuradores federais do Pará e Tocantins de desviar mais de R$ 9 milhões da extinta Sudam. Ele seria integrante da chamada "Máfia de Altamira", composta por dez empresários daquele município envolvidos no desvio de R$ 80 milhões da Sudam. O dinheiro liberado seria aplicado no plantio de cacau, pupunha, açaí, criação de frangos, rãs e peixes.Depois que as investigações da Polícia Federal sobre o caso foram intensificadas, Gutzeit desapareceu do Pará. Hoje, segundo informações obtidas pelo Estado, ele estaria morando na Colômbia.Antes de deixar o Pará, o empresário prestou um depoimento em Altamira, acusando pecuaristas e comerciantes da região da Transamazônica de terem praticado irregularidades para se beneficiar dos recursos do Fundo de Investimentos da Amazônia (Finam), que eram liberados através da Sudam pelo governo federal. E afirmou estar sendo vítima de um "complô" para prejudicá-lo.

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