Celso Junior/AE
Celso Junior/AE

Preso por tentativa de suborno no DF trabalhava para delator

Jornalista disse ter recebido R$ 200 mil para favorecer Arruda, mas omitiu que emissário era seu funcionário

estadao.com.br,

04 Fevereiro 2010 | 19h37

O servidor público do Distrito Federal Antônio Bento da Silva, preso pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira, 4, por suposta tentativa de suborno, era funcionário do homem que o denunciou, o jornalista Edmilson Edson dos Santos, conhecido como Sombra. Silva, que é membro do Conselho Fiscal do Metrô de Brasília, foi detido em flagrante no momento em que entregava R$ 200 mil ao seu delator, supostamente como suborno para obstruir as investigações que apontam o governador José Roberto Arruda (sem partido) como chefe do esquema de corrupção, desmantelado pela operação Caixa de Pandora.

 

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Antonio Bento da Silva foi detido ao entregar R$ 200 mil a Edson Sombra, supostamente como suborno para obstruir investigação que aponta Arruda como chefe do mensalão. 

 

Sombra foi o responsável por encorajar Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do governo do Distrito Federal, a contar como funcionava o esquema, batizado de mensalão do DEM.

 

Apesar dos indícios ligando a prisão de Silva às investigações sobre o esquema de corrupção no Governo do Distrito Federal (GDF), por enquanto o caso será investigado em inquérito separado, desvinculado da Pandora, porque há questões nebulosas a serem esclarecidas. A primeira é que Bento é diretor comercial do jornal O Distrital, no qual Sombra é diretor responsável e escreve editoriais. Numa das últimas edições, Sombra escreveu que havia "um Judas" traindo-o na empresa. Enquanto o jornalista prestava depoimento na PF, o nome de Bento foi retirado do expediente no site do jornal. Sombra omitiu o fato de ser colega de Bento e disse à PF apenas que ele era amigo de Arruda.

 

O dinheiro foi apreendido no momento em que era entregue, numa área comercial do bairro Sudoeste e mandado para perícia no Instituto Nacional de Criminalística (INC) para confirmação da origem. Se ficar comprovado que a tentativa de suborno partiu de Arruda, como garantiu Sombra à polícia, o governador poderá até ser alvo de pedido de prisão por obstrução da justiça. Segundo relato do jornalista, há algum tempo ele vinha sofrendo assédio de Bento e resolveu relatar o caso à PF, que montou uma operação para flagrar a entrega do suborno. O conhecimento do local e hora possibilitou o registro em vídeo da apreensão do dinheiro e de fatos que servirão para formação de prova.

 

O servidor foi detido na Superintendência da PF, onde ficará à disposição da Justiça, mas poderá ser solto a qualquer instante por habeas corpus. Ele foi indiciado no artigo 343 do Código Penal (dar, oferecer ou prometer dinheiro ou qualquer outra vantagem a testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete, para fazer afirmação falsa, negar ou calar a verdade em depoimento, perícia, cálculos, tradução ou interpretação), que prevê pena de três a quatro anos de reclusão, mais multa. A prisão foi comunicada ao ministro Fernando Gonçalves, que preside o inquérito da Caixa de Pandora.

 

 

Por meio da assessoria, o governador informou que considerava a denúncia "uma farsa grotesca" e anunciou ter mandado demitir Bento do Conselho do Metrô, cargo para o qual teria sido indicado por Durval. "É só ligarem os fatos: Sombra é amigo de Durval e chefe de Bento, que agora aparece com essa história fantasiosa", observou. Em breve, a polícia vai intimar o jornalista Wellington Moraes, assessor de Arruda, para saber se ele tem algo a ver com o dinheiro apreendido em poder de Bento, como afirmou Sombra.

 

Com informações de Vannildo Mendes, de O Estado de S.Paulo

 

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