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Preso, Funaro se diz disposto a ‘colaborar’

Corretor afirma que não pretende fazer delação porque não tem ‘o que confessar’; porém, admite ajudar nas investigações

Josette Goulart e Alexa Salomão, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2016 | 05h00

O corretor Lúcio Funaro, que cumpre prisão preventiva há quase um mês, insiste que não tem “o que delatar porque não há o que confessar”. Ele, porém, se diz disposto a “colaborar” com as investigações da Operação Lava Jato. “Não significa que não possa e não queira colaborar com as autoridades.” 

Funaro respondeu, por escrito e por intermédio de seu advogado Daniel Gerber, perguntas enviadas pela reportagem do Estado. Nas respostas, desqualifica e ameaça seus acusadores: o ex-vice-presidente da Caixa Fabio Cleto e o ex-diretor de Relações Institucionais do Grupo Hypermarcas Nelson Mello. 

Ele nega ter atuado como operador do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e disse que apenas tem boas relações com o peemedebista. 

Funaro chamou Cleto de “criminoso confesso”. Insiste que a delação dele, que serviu como base para a sua prisão – na Operação Sépsis, desdobramento da Lava Jato –, é “um escárnio ao poder público”. “Ele (Cleto) fez da delação um instrumento de negociação de vantagens ilícitas. Do que ele fala, nada há a se fazer, pois quem tem que provar é ele, e isso ele jamais conseguirá, pois mente a meu respeito.” 

Cleto disse que Funaro integrava um esquema de propinas para liberação de financiamentos do FI-FGTS a empresas. 

Em sua delação, o ex-vice-presidente da Caixa entregou alguns documentos para provar o que diz, entre eles cerca de 300 faturas, demonstrando que Funaro pagava suas contas. 

“Fomos – infelizmente – parceiros de negócios por algum tempo. Isso não significa nada, e, se eu realmente tivesse cometido delitos com este delator, ele teria provas disso. O fato de ele usar pagamentos de contas pessoais para tentar legitimar suas afirmativas mostra que eu realmente nunca fiz nada além disso.” 

Procurada nesta quinta-feira, 28, a defesa de Cleto não respondeu até a conclusão desta edição.

Escritório americano. Sobre a Hypermarcas, Funaro afirmou que está contratando um escritório de advocacia americano para investigar a empresa e provar que Nelson Mello usou sua delação para acobertar outros envolvidos. “A Hypermarcas iria quebrar se os crimes assumidos por Nelson respingassem em toda a diretoria e presidência. Todos seriam presos pela justiça americana. Por tal motivo, Nelson assume a culpa de tudo, afirma que fez tudo ‘sozinho’.” 

Mello disse na delação ter autorizado pagamentos de mais de R$ 30 milhões para políticos. 

Procurada, a Hypermarcas reencaminhou comunicado divulgado ao mercado, no qual afirma que contratou uma auditoria interna e verificou não haver evidências de que outros administradores participaram. “A Companhia ressalta que não é alvo de nenhum procedimento investigativo e que não se beneficiou de quaisquer dos atos praticados pelo ex-executivo.” 

Funaro foi transferido nesta quinta-feira da carceragem da Polícia Federal em Brasília para o presídio da Papuda. Ele disse que sua frustração é de até agora não ter sido ouvido pelas autoridades para dar sua versão. 

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