Preso ex-suplente de Amir Lando

Agentes da Polícia Federal prenderam, na noite da última quinta-feira, o empresário Mário Calixto Filho, que por alguns dias ocupou no Senado a vaga deixada pelo ministro da Previdência Social, Amir Lando (PMDB- RO). Proprietário de quatro empresas de comunicação, Mário Calixto foi condenado agora a 11 anos de prisão por desvio de dinheiro de merenda escolar, sem direito de recorrer em liberdade, e ocupa agora uma das celas da Superintendência da PF em Porto Velho (RO). Ele foi levado pelos policiais quando chegava a um albergue, onde já vinha cumprindo pena por crime eleitoral. Mário Calixto se apresentou no Senado em fevereiro como primeiro suplente de Amir Lando. Entregou uma declaração do Tribunal Regional Eleitoral expedida há cinco anos e chegou a ser empossado. Quando a Justiça Eleitoral de Rondônia comunicou que ele não poderia assumir o cargo porque havia perdido os direitos políticos e ainda deveria cumprir pena de um ano de detenção em regime semi- aberto, sua posse foi anulada. Na última semana, o empresário se apresentou à Justiça e passou a dormir no albergue. Ele responde a 149 processos. A condenação a um ano de detenção em regime semi-aberto aconteceu porque não cumpriu determinação judicial de conceder direito de resposta em um de seus jornais. Já a sentença de 11 anos no caso da merenda foi dada pelo juiz federal substituto João Carlos Cabrelon de Oliveira. No processo, consta que em agosto de 1995 Mário Calixto desviou dos cofres públicos R$ 200 mil, provenientes do Ministério da Educação. O dinheiro era para comprar peixe e carne moída para alunos de escolas estaduais, mas o material, além de estar superfaturado, não foi entregue. No processo consta que o empresário contou com a colaboração do então secretário de Estado de Educação, Domenico Laurito, que atualmente mora na Itália. Não houve licitação para compra do produto, e a secretaria mantinha um estoque de 18 toneladas de carne. A Nota de Autorização de Despesa foi emitida e no mesmo dia foi empenhado do dinheiro para pagamento do produto. Mário Calixto ainda responde a um outro processo semelhante, pelo desvio de R$ 1,48 milhão da Ceron, empresa estatal de distribuição de energia elétrica. Na próxima quinta-feira ele poderá ser transferido para o presídio estadual Mário Alves, o Urso Branco, porque não poderá ficar na Superintendência da Polícia Federal devido à greve anunciada pelos agentes.

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