Preso ex-banqueiro condenado pela lei do colarinho branco

O ex-banqueiro Tasso Assunção Costa, de 70 anos e seu filho, Cláudio de Araújo Assunção Costa, de 42, foram presos nesta quarta-feira, na capital mineira, em cumprimento a um mandato expedido na terça-feira pelo juiz Francisco de Assis Betti, da 9ª Vara de Justiça Federal de Minas Gerais.Tasso, ex-proprietário do banco Hércules e da empresa de consórcio Mercantil Veículos, e o filho foram os primeiros condenados no Brasil pela chamada Lei do Colarinho Branco, que define os crimes contra o sistema financeiro nacional.Os dois foram levados para a Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Grande Belo Horizonte. Tasso foi condenado a nove anos de prisão. Ele terá também de pagar 20 salários mínimos por dia à Justiça durante nove meses. Cláudio foi condenado a quatro anos e seis meses em regime fechado e recebeu a mesma multa do pai. A mulher do ex-banqueiro, Vera Lúcia de Araújo Assunção Costa, também foi denunciada pelo Ministério Público. O envolvimento dela no caso ainda está sendo analisado pela Justiça. Os dois foram denunciados pelo Ministério Público, em fevereiro de 1998, por gestão fraudulenta, falsidade de documentos, desvio de dinheiro arrecadado dos consorciados da empresa Mercantil Veículos e empréstimos fictícios entre as empresas do Grupo Hércules S/A. Segundo o delegado da Polícia Federal em Minas, Ricardo Amaro, o rombo que lesou milhares de pessoas foi calculado na época em cerca de R$ 23 milhões. O ex-banqueiro chegou a ficar preso por 59 dias na superintendência da PF em Belo Horizonte, mas foi solto e desde então respondia às acusações em liberdade. O novo mandado de prisão foi expedido depois que Supremo Tribunal Federal (STF) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negaram, em primeira instância, os recursos impetrados por Tasso e Cláudio. Pai e filho foram presos pela manhã. O ex-banqueiro estava em sua casa, no elegante bairro Cidade Jardim, na zona sul da capital mineira. Cláudio foi preso em sua empresa, uma locadora de veículos localizada na região oeste da cidade. Os bens da família que foram localizados estão indisponíveis e as empresas do Grupo Hércules sob intervenção do Banco Central. Os advogados de defesa prometeram entrar, no Tribunal Regional Federal em Brasília com outro recurso contra a condenação.

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