Preso empresário suspeito pela morte de promotor

A Polícia Militar prendeu na madrugada desta sexta-feira, em uma blitz na zona sul de Belo Horizonte, o empresário Luciano Farah, suspeito de envolvimento no assassinato do promotor Francisco José Lins do Rego Santos, ocorrido no dia 25 de janeiro, na capital. Farah é dono, com o irmão Cristiano, da rede West de postos de combustíveis, formada por cinco pontos de venda na cidade.A empresa é alvo, desde o ano passado, de investigações do Ministério Público, das quais o promotor morto participou ativamente, sobre a "máfia" que estaria adulterando combustíveis e cometendo irregularidades fiscais no Estado. Em setembro, durante uma "batida" do MP a um dos postos da West em Belo Horizonte, a imprensa flagrou Farah discutindo de forma exaltada com Lins do Rego Santos.Os cinco pontos de venda de combustíveis dos irmãos Farah foram fechados por ordem judicial, depois que o MP constatou as irregularidades, mas advogados da família conseguiram liminares garantindo a reabertura de quatro deles. Além de Luciano e Cristiano, também é investigado o empresário Guilherme Farah, irmão da dupla, acusado de ser dono de uma indústria de manipulação de produtos químicos, na periferia da capital, onde o combustível comprado para os postos West seria adulterado.Luciano, encontrado pelo Grupo de Ações Táticas (GAT) da PM em uma lanchonete próxima ao Departamento Estadual de Operações Especiais da Polícia Civil (Deoesp) - um dos QG´s da força-tarefa que investiga a morte do promotor, formada ainda pelas polícias Civil e Federal e pelo MP - teve o pedido de prisão temporária decretado quinta-feira pelo juiz do 2º Tribunal do Juri de Belo Horizonte, Edison Feital Leite.O juiz expediu outros mandados de prisão, provavelmente para outras pessoas envolvidas com a rede West, e também de busca e apreensão, mas não informou detalhes sobre as determinações. Também nesta sexta-feira, três policiais militares que atuavam como seguranças da rede de postos, nas horas vagas, foram detidos pela corporação. Os nomes não foram divulgados.Dois caminhões-tanque a serviço da West foram apreendidos pela polícia, nesta sexta-feira, na Fernão Dias. O advogado de Luciano Farah, Marcelo Ferreira de Mello, informou que irá entrar com pedido de habeas-corpus no Tribunal de Justiça. Ele negou envolvimento dos proprietários dos postos West com a máfia dos combustíveis e com a morte do promotor. "A rede West é a bola da vez porque foram os últimos a serem interditados pelo MP", disse. "Mas já provamos judicialmente que somos inocentes e o próprio Lins do Rego havia liberado alguns de nossos postos".Além do dono da West, oito suspeitos de participar da máfia dos combustíveis - e envolvidos com outra rede de postos, a Lunardi - também estão com prisões preventivas decretadas pela Justiça Mineira. Os suspeitos tinham obtido habeas-corpus, livrando-se temporariamente dos mandados expedidos em dezembro a pedido da equipe do MP que investiga o caso, e da qual Lins do rego Santos fazia parte. Na quinta-feira, porém, a Câmara de Férias do Tribunal de Justiça de Minas cassou os benefícios.Os acusados são Carlos Alberto Lunardi, dono da empresa suspeita de fraudar impostos e adulterar combustíveis, o sócio Juracy de Souza, Alexandre da Silva Costa, gerente de um dos postos, Carlos Henrique Barros, também apontado como comandante do esquema, Alessandra e Caiser Alves Pereira, administradores de empresas que dariam suporte à adulteração, Paulo Braga, dono de caminhões-tanque, e o detetive José Aurélio Tupynambá, segurança da rede. Até o final da tarde desta sexta-feira apenas Braga e Tupynambá haviam se apresentado à polícia. Ambos negaram participação na máfia e no crime do promotor.Preocupados com uma possível escalada de violência contra promotores e procuradores de Justiça, a partir da morte de Lins do Rego Santos, representantes do Ministério Público de todo o País deverão se encontrar na terça-feira, em Belo Horizonte, para discutir medidas de segurança para a categoria.Também estará em pauta a elaboração de uma campanha de conscientização da sociedade sobre o trabalho do Ministério Público. "Vamos colocar o dedo na ferida, porque não adianta a Constituição nos dar poder para atuar na defesa da sociedade e dos cidadãos sem que tenhamos condições de trabalho e estrutura", afirmou o promotor Alceu José Marques, presidente da Associação Mineira do MP.Ainda nesta sexta, o procurador mineiro Gilvan Alves denunciou que seu carro teve um vidro quebrado por desconhecidos, em Belo Horizonte, quando estava estacionado. Embora possa ter se tratado de uma tentativa de roubo, Gilvan reforçou o pedido para que promotores e procuradores sejam protegidos por policiais.O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, disse quinta-feira, durante missa de 7º dia em homenagem ao promotor assassinado, que o governo federal assina na semana que vem com o governo mineiro um convênio de cooperação mútua no combate à máfia dos combustíveis.

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