Preso depõe e inocenta Valério no mensalão

Em depoimento na Justiça Federal, o ex-policial civil Marco Túlio Prata acusou o irmão Marco Aurélio Prata, ex-contador da DNA Propaganda, de comandar um atentado e planejar a morte do empresário Marcos Valério e o sócio Ramon Hollerbach Cardoso. Dizendo que é o único preso do mensalão até agora, Marco Túlio, conhecido como Pratinha, apresentou uma série de acusações contra o irmão e isentou Valério de qualquer denúncia. "Ele ia eliminar o Marcos Valério e matar um sócio dele, que se chama Ramon Cardoso", afirmou Pratinha à juíza Raquel de Lima Vasconcelos. Segundo o ex-policial, a motivação seria financeira. "Provavelmente deixaram de dar a ele algum dinheiro prometido", disse. "Não sei se existiu algum conchavo." Pratinha afirmou que o irmão pediu a ele, em duas oportunidades, que matasse Valério. Disse que Marco Aurélio, junto com outras duas pessoas, foram responsáveis por disparos contra a casa de o empresário no bairro Castelo, em Belo Horizonte. "Me rotulam como um prisioneiro contumaz, mas não tive coragem de atirar na casa do senhor Marcos Valério. Ele (Marco Aurélio) convidou." Pratinha cumpre pena por homicídio, cometido em 2004. Ele invadiu um hospital de Belo Horizonte e assassinou um jovem que havia atirado em seu filho. Na ação penal por sonegação fiscal contra Valério e seus ex-sócios, na 9ª Vara Federal de Belo Horizonte, Pratinha é acusado de ocultação e destruição de documentos fiscais. No auge do escândalo do mensalão, em 14 de julho de 2005, a Polícia Civil flagrou queima de notas fiscais da DNA na casa de Pratinha. Ele negou que tivesse participado da destruição dos papéis e alegou que guardou o material a pedido do irmão - Marco Aurélio teria dito que os documentos eram dele. No interior da casa, outras 14 caixas com documentos fiscais e contábeis foram encontradas. Nos arredores da casa, havia mais notas destruídas. Para Marcelo Leonardo, advogado de Valério, o depoimento confirma as declarações do seu cliente. "No sentido de que não conhecia o Marco Túlio e não mandou queimar nem destruir quaisquer documentos". Hermes Guerreiro, advogado de Cardoso, considerou o depoimento como "demonstração de ódio familiar". Paulo Sérgio de Abreu e Silva, defensor do ex-contador da DNA, afirmou que e só se pronunciará na próxima semana.

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