Preso comparsa de Elias Maluco

Três dos doze morros do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, foramvasculhados nesta sexta-feira por 90 policiais, que procuravam o esconderijo do traficante EliasPereira da Silva, o Elias Maluco, apontado como assassino do jornalista Tim Lopes. Amegaoperação envolveu as polícias Civil, Militar, Federal e Rodoviária Federal e foianunciada como um resultado da Força-Tarefa de combate à criminalidade no Estado.Ainformação de que Elias Maluco estaria na Favela da Grota ? onde o repórter da TVGlobo foi assassinado ? não se confirmou, mas a polícia capturou um bandido ligado aele que teria envolvimento no crime.O superintendente da PF no Rio, Marcelo Itagiba, disse que recebeu denúncias de que Elias Maluco estava escondido num dos barracos da Pedra do Sapo, no altoda Grota, onde a polícia localizou o cemitério clandestino no qual foram encontrados osrestos mortais do jornalista, assassinado no dia 2 de junho.Foi na Pedra do Sapo que ospoliciais prenderam Claudino dos Santos Coelho, de 21 anos, que seria o gerente doponto de tráfico da área e que teria participado do assassinato do jornalista (embora nãoseja um dos quatro indiciados no crime que ainda estão em liberdade).O irmão dele,Edgard Francisco dos Santos, de 19 anos, também foi preso. Com eles, foram apreendidos 3,9 quilos de cocaína, um fuzil HK 762, de fabricaçãoalemã e que estava desmontado e escondido dentro de um tonel, 75 cartuchos domesmo calibre, um sinalizador e uma agenda contendo anotações sobre o movimentoda venda de drogas.Os dois negaram pertencer ao bando de Elias Maluco. Mas o delegado Itagiba afirmou ter fortes indícios do envolvimento de ambos. ?Nosso objetivoé fazer pressão em cima dele (Elias). Queremos sufocá-lo?, enfatizou o superintendenteda PF.Itagiba disse estar convencido de que o traficante está numa favela dominadapela facção criminosa Comando Vermelho, à qual ele pertence. A exemplo do fuzil, os cartuchos encontrados estavam pintados no padrão camufladodo Exército e tinham as siglas CV, PCC e M.M. Para Itagiba, esta é mais uma prova daligação entre as duas facções: Comando Vermelho, do Rio, e PCC (Primeiro Comandoda Capital), de São Paulo.O delegado regional da PF, Vitor César Carvalho dos Santos,disse que ?a união entre os dois grupos criminosos é política?. Segundo ele, os grupos usam até a ajuda de Organizações Não-Governamentais(ONGs) e grupos de Direitos Humanos, para conseguir facilidades para seus integrantespresos.?Essa organização do PCC está sendo importada pelo Comando Vermelho?,completou. A inscrição M.M.seria uma referência a Maluco e a Marcinho VP, que está preso em Bangu 1. A operação contou com o apoio aéreo de dois helicópteros da Polícia Civil e da PolíciaFederal.Segundo informações não confirmadas por Itagiba, em cada aparelho estavaum informante. O delegado Santos informou que durante a operação chegou haver trocade tiros com os traficantes, mas ninguém ficou ferido. Segundo policiais, a incursão ddesta sexta começou a ser montada por volta das 5 horas, na superintendência da PF.Às 9horas, os policiais invadiram as favelas da Fazendinha, da Grota e da Pedra do Sapo.Vinte e quatro suspeitos foram detidos, dos quais 12 foram liberados no próprio localpor não terem passagem pela polícia e por terem apresentado documentos deidentidade.Dos 12 levados para a PF, dez foram soltos depois que familiaresapresentaram os documentos. Os dois bandidos que seriam ligados a Elias Malucoforam autuados em flagrante.Embora a PF tenha afirmado que a operação partiu da Força-Tarefa criada peloGoverno Federal, o comandante geral da PM, coronel Francisco Braz, disse que setratou apenas de uma ação conjunta entre as polícias, o que vem sendo feito há váriosmeses.

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