Preso colombiano que pode ter ligações com Beira-Mar

A polícia secreta prendeu o suposto intermediário entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) com o ex-assessor presidencial peruano Vladimiro Montesinos, que teria negociado a aquisição de 10 mil fuzis para a guerrilha. A compra das armas teria sido negociada pelo colombiano Luis Humberto Sánchez, que mantinha atividades comerciais de fachada na Colômbia. As armas teriam sido encomendadas pelo comandante guerrilheiro Tomas Medina Caracas, vulgo "Negro Acácio", segundo o Departamento Administrativo de Segurança (DAS)."Sánchez foi preso em Neiva (cidade do sul da Colômbia) em 1º de maio, após um acompanhamento de 20 meses e coleta de numerosas provas no Peru e na Colômbia", disse nesta quarta-feira o diretor do DAS, coronel Germán Jaramillo. O detido, ao ser apresentado à imprensa, afirmou ser um "bode expiatório". Ao lado de Sánchez foram exibidos restos de um pára-quedas e uma caixa de madeira, utilizados para lançar as armas para as Farc em meio à selva amazônica, no sudeste colombiano. Segundo Jaramillo, a promotoria tem "provas muito sólidas" que permitiram deter Sánchez e mais 32 pessoas - incluindo cidadãos russos, ucranianos, franceses e peruanos por contrabando de armas recebidas pela guerrilha colombiana em quatro operações aéreas entre junho e agosto de 1999. O diretor do DAS afirmou que Sánchez realizou 10 viagens ao Peru entre novembro de 1998 e agosto de 1999 para negociar a compra das armas destinadas aos guerrilheiros com os irmãos Frank e José Luis Aybar Cancho, os quais identificou como "os delegados de Montesinos" nas transações. "Eu estive em Lima com um detetive do DAS, especialista em acompanhamento do narcotráfico; obtivemos junto às autoridades peruanas documentos importantíssimos e gastamos quase três anos para identificá-lo e localizá-lo", disse Jaramillo. "Ele é a peça-chave da negociação das armas jordanianas para a guerrilha colombiana e sua prisão permitirá conhecer outros detalhes da negociação", acrescentou. Em entrevista par o canal RCN, Jaramillo assegurou que o comandante Medina teria obtido dinheiro para pagar o arsenal através do narcotraficante brasileiro Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. Beira-Mar teria pago US$ 11,5 milhões a Medina em troca de toneladas de cocaína. O capo da droga, acusado na Colômbia de trocar com a guerrilha o entorpecente por armas, foi detido há um ano pelo exército colombiano nas selvas do sul do país e em seguida deportado para o Brasil. A descoberta da compra dos 10 mil fuzis AKM por supostos militares peruanos na Jordânia provocou protestos do governo colombiano junto ao então presidente Alberto Fujimori. Segundo Jaramillo, o objetivo de Montesinos era entregar 60 mil fuzis para as Farc, mas o negócio foi frustrado pela descoberta da entrega dos quatro primeiros carregamentos na selva colombiana.

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