Preso casal que iria liderar invasão a área indígena

A Polícia Federal prendeu em Ariquemes, no interior de Rondônia, um casal que iria liderar uma invasão a área indígena uru-eu-au-au, com mais de 200 famílias. A ocupação seria feita na segunda-feira, mas o serviço de inteligência da PF conseguiu descobrir o fato com antecedência e evitar um confronto entre os sem-terra e índios. O casal já foi indiciado cinco vezes por este mesmo tipo de ato. Adão Pedro Pereira e Margarida de Jesus Nunes, ambos com 65 anos, estavam planejando a invasão às terras dos uru-eu-au-au há alguns dias, com a ajuda de um grupo político de Porto Velho e Ariquemes. Cerca de 200 famílias, seriam deslocados para a região indígena e começariam imediatamente a demarcar lotes. "Felizmente conseguimos nos antecipar e descobrir a invasão", afirma o superintendente da PF em Rondônia, Marco Aurélio Moura. "Isso evitou maiores problemas." Considerada uma das áreas indígenas ainda com maior volume de madeira nobre, como mogno, a reserva uru-eu-au-au é uma das mais ameaçadas pelos empresários da região de Ariquemes, onde estão grande parte das serrarias de Rondônia. Por várias vezes a Polícia Federal teve que intervir para evitar confrontos entre brancos e índios. Desta vez, prendeu Nascimento e sua mulher, depois de verificar que ambos estavam arregimentando sem-terra e moradores da cidade. O plano de ocupação da reserva foi feito em uma reunião realizada na casa de um político - cujo nome a PF mantém em sigilo - e seria desencadeado na segunda-feira, com apoio logístico de empresários ligados à extração de madeira. Adão Nascimento e Margarida Nunes já foram processados pelo mesmo tipo de crime, por várias. Só na PF, a mulher foi indiciada cinco vezes, duas vezes mais que seu marido. Rondônia é um dos únicos Estados do Brasil onde existem condenações de sem-terra por invasões. Dois homens tiveram penas de oito anos e quatro anos e cinco meses, respectivamente.

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