Presídio de Tremembé fica perto de assentamento do MST

Segundo dirigentes do movimento, penitenciária faz limite com fundos do Assentamento Conquista; um dos argumentos da PF para pedir a transferência foram supostos transtornos causados pela Vigília Lula Livre, organizada e mantida pelo MST

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2019 | 17h28

Dirigentes do Movimento dos Sem Terra (MST) lembraram nesta quarta-feira, 07, que o presídio de Tremembé (SP), para onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ser transferido, faz limite com os fundos do Assentamento Conquista, um dos mais antigos do estado, onde vivem 100 famílias de agricultores ligados ao movimento.

Um dos argumentos usados pela Polícia Federal em Curitiba para pedir a transferência do petista para São Paulo foram os supostos transtornos causados pela Vigília Lula Livre, organizada e mantida pelo MST, para os moradores do entorno da superintendência.

Graças à proximidade, a direção do MST já prepara a transferência da vigília para Tremembé, caso o Supremo Tribunal Federal (STF) não acate o recurso da defesa do petista.

João Paulo Rodrigues, da direção nacional do MST, postou hoje, 7, em suas redes sociais, que o movimento é contra a transferência mas lembrou da proximidade.

O Assentamento Conquista, formalizado em 1997, é o primeiro do governo Fernando Henrique Cardoso. Instalado em uma área improdutiva de 1.300 hectares que pertencia à Petrobrás, foi invadido em 1994 e serviu de base para outras invasões de terras devolutas feitas pelo MST na região do Vale do Paraíba.

O comitê Lula Livre e as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, formadas por mais de duas centenas de movimentos sociais e partidos políticos, marcaram os primeiros atos contra a transferência de Lula para o presídio de Tremembé.

O primeiro ato ocorre ainda hoje, 7, na frente do Supremo Tribunal Federal (STF), onde a defesa do ex-presidente protocolou um recurso contra a decisão da juíza da 12a Vara Federal de Curitiba, Carolina Lebos. A manifestação será coordenada pelo comitê Lula Libre do Distrito Federal e deve contar com a participação de parlamentares e dirigentes petistas que estão em Brasília.

O maior protesto, no entanto, está marcado para amanhã, 8, em São Paulo. O local escolhido é o Largo São Francisco, onde está localizada a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Inicialmente os aliados do ex-presidente pretendiam fazer o ato na Avenida Paulista.

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