Presidente usa FMI em provocação a tucanos

Dilma afirma em São Paulo que antecessores consideravam ‘inadequado’ investir em metrô

Ricardo Chapola e Gustavo Porto, O Estado de S. Paulo

25 de outubro de 2013 | 22h26

Ao participar de cerimônia ao lado do governador Geraldo Alckmin (PSDB), a presidente Dilma Rousseff fez nesta sexta-feira, 25, em São Paulo, críticas indiretas à gestão tucana do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995 a 2002). No anúncio da liberação de R$ 5,4 bilhões do governo federal para o setor metroferroviário do Estado, Dilma disse que o País era refém do Fundo Monetário Internacional (FMI) para fazer qualquer tipo de investimento.

A presidente disse também que antes de o PT ocupar a Presidência da República os investimentos federais em metrô e trens nos Estados eram considerados "inadequados". Segundo Dilma, o País passou por um período de "déficit histórico" em políticas de mobilidade urbana.

"Nos anos 80 e 90, era considerado inadequado fazer metrôs dado o custo elevado de investimento. Essa inadequação estava ligada ao fato de o Brasil passar por um momento muito difícil, que durou muito tempo", disse Dilma em seu discurso no Palácio dos Bandeirantes, na capital paulista.

Ao citar o FMI, Dilma se dirigiu a Alckmin: "A gente tinha que pedir autorização ao Fundo Monetário para investir. Por isso foi tão bom, né governador, a gente ter pagado a dívida do Fundo Monetário, que não supervisiona mais as nossas contas", disse a presidente.

Em 2005, no último ano do primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo brasileiro quitou o restante da sua dívida externa, de US$ 15,6 bilhões, livrando-se da cartilha de exigências do Fundo. O País se tornou nos anos seguintes credor do fundo.

Críticas externas. Recentemente, o FMI provocou forte reação das autoridades brasileiras ao fazer críticas à economia nacional em seu relatório anual. O Fundo criticou a fragilidade dos investimentos, a política de combate à inflação e o que chamou de erosão da política fiscal.

Antes de Dilma discursar, o governador Geraldo Alckmin cobrou mais colaboração financeira da União para a expansão da malha metroferroviária paulista. "Todos os grandes metrôs do mundo tiveram recursos do governo federal", afirmou.

O aporte federal de R$ 5,4 bilhões anunciado ontem por Dilma em São Paulo será destinado para as obras na linha 2-verde do metrô, a expansão da linha 9-Esmeralda da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), a implantação da linha 13-Jade até o aeroporto de Guarulhos e também para a reforma de mais 19 estações da CPTM.

Do total liberado pelo Planalto, R$ 4,1 bilhões são oriundos de financiamento com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O restante - R$ 1,3 bilhão - são provenientes do próprio Orçamento da União. O repasse é parte de um pacote de mobilidade anunciado por Dilma logo depois das manifestações de junho. Em julho deste ano, a presidente já tinha destinado R$ 8 bilhões para a Prefeitura de São Paulo investir em transportes na capital.

Giro. A presidente relembrou em seu discurso ontem que o governo vai destinar de um total de R$ 50 bilhões em investimentos como parte dos pactos anunciados em junho. Segundo ela, o detalhamento dos aportes vai ser feito num giro que Dilma pretende fazer até o final deste ano em todas as capitais.

"Lancei a segunda etapa dos R$ 50 bilhões em Porto Alegre, Salvador, no Rio. Terça fazemos Curitiba e, até o final do ano, todas as principais capitais", afirmou a presidente.

Antes de anunciar a liberação de recursos da União para as obras no metrô em São Paulo, Dilma publicou no seu Twitter uma mensagem fazendo referência aos protestos de junho. "Os movimentos de junho não foram apenas pelos 20 centavos. Foram por mais direitos. Por isso, respondemos com a proposta dos cinco pactos. Um deles é da Mobilidade Urbana", escreveu.

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