Presidente rejeita afastar Dilma por causa da saúde

Para presidente, não se vê ?uma mulher deixar de trabalhar ou cuidar de filho por causa de gripe?

Jamil Chade, ISTAMBUL, O Estadao de S.Paulo

22 Maio 2009 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou a hipótese de a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, ser afastada do cargo por causa do tratamento contra o câncer linfático ao qual ela se submete. "Falei com ela ontem (quarta-feira) e ela está bem e tranquila", disse Lula, que hoje encerra sua viagem pela Turquia. "Na doença, quando a gente fica em casa, a gente fica mais doente. A gente tem de espantar qualquer doença. E, nesse negócio, mulher é especialista. Qualquer homem, quando tem uma gripezinha, já quer ficar deitado, com preguiça. Você nunca viu uma mulher deixar de trabalhar ou cuidar de filho por causa de gripe." Ouça a explicação do presidente Lula sobre o uso do termo ?turco? no BrasilDilma deixou o hospital Sírio-Libanês na quarta-feira, após se recuperar de fortes dores nas pernas. Ela atribuiu o problema a uma reação à redução brusca da cortisona em seu tratamento. Para Lula, a ministra deve continuar trabalhando. "Obviamente, não sou médico. Mas acredito que, quanto mais trabalhar, melhor é para a saúde. A não ser que a pessoa não possa trabalhar", disse o presidente, que ontem apresentava um bronzeado depois de passear por duas horas em um barco pelo estreito de Bósforo, que separa os continentes asiático e europeu. VIAGENSLula também defendeu suas próprias viagens, alegando até que isso ajudava a diminuir os problemas internos no País. Para ele, governadores também devem começar a viajar e esse seria o único caminho de abrir mercados no exterior em tempos de crise."Quanto mais viajarmos, menos problemas internos criamos em nosso país e as coisas acontecem com mais facilidade", disse em Istambul, em um encontro com empresários.Lula ainda alegou que, na realidade, o que deve ocorrer é até mesmo um aumento das viagens. "No mundo globalizado, quem não viaja perde oportunidades", disse. "Hoje, ter embaixadores pelo mundo não é suficiente. Governadores, ministros e autoridades precisam viajar. Essa é uma coisa que precisa virar uma prática no Brasil. Não podemos mais ficar esperando que alguém venha ao Brasil. Um governador de Estado tem de pegar seus empresários e viajar para vender seus produtos, ou o presidente da República, os ministros, os empresários, porque temos de disputar mercado."

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