Presidente recebe embaixadores e servidores protestam por verba

Sindicato aproveita dia de entrega de credenciais para reivindicar repasses em atraso; Itamaraty teve corte orçamentário

Lisandra Paraguassu, O Estado de S. Paulo

10 de novembro de 2014 | 14h35

Atualizado às 21h54

BRASÍLIA - O governo liberou nesta segunda-feira, 10, R$ 25,6 milhões para o Itamaraty, o que permite o pagamento das parcelas em atraso do auxílio-moradia de servidores no exterior. Ainda assim, enquanto no segundo andar do Palácio do Itamaraty o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, recebia nesta manhã em um almoço 32 embaixadores que acabavam de entregar suas credenciais à presidente Dilma Rousseff, um grupo de 50 funcionários fazia um manifestação.

Com faixas e broches com os dizeres "respeito é bom" e duas vuvuzelas, os servidores fizeram barulho suficiente para que a música tocada nos salões tivesse o volume aumentado. "Agora é uma questão da burocracia. Mas nós precisamos de uma solução definitiva para isso. Temos que aperfeiçoar os mecanismos. Todo ano tem cortes no orçamento, não podemos ficar à mercê disso", afirmou Sandra Nepomuceno Malta, presidente do SindItamaraty, sindicato que reúne diplomatas, oficiais e assistentes de chancelaria.

Já há uma recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU) para que o pagamento seja transformado em verba indenizatória, o que permitiria o pagamento com os salários dos servidores. Segundo Sandra, Figueiredo abriu uma mesa de negociações com o sindicato para resolver o problema, mas pediu para esperarem a definição sobre o Itamaraty no segundo mandato de Dilma. "Ele nos disse que não sabe ainda se ficará e não acha justo, se for o caso, deixar uma decisão dessas para o sucessor", disse a servidora.

Sandra afirmou que, apesar da liberação dos atrasados, a mobilização se mantém. Figueiredo disse, em reunião na sexta-feira, que as manifestações poderiam atrapalhar a negociação com o Tesouro, mas a sindicalista alegou que a pressão dos servidores no exterior está forte. "Foram eles que decidiram a assembleia", contou. "Se não tem o pagamento, acabou o serviço. Eles não têm como bancar os custos. E hoje ficamos sabendo que o seguro-saúde deles também está atrasado."

O orçamento do Itamaraty representa 50% do alocado em 2013, e houve novo corte em março. Com isso, os recursos se esgotaram em agosto. No mês seguinte, o Congresso aprovou a suplementação orçamentária que só agora foi liberada por Dilma.

O horário e o dia do protesto não foi à toa. "Esperamos que incomode. Esse era o objetivo. Queremos que a presidente saiba por nós o que está acontecendo", afirmou Sandra. Os servidores esperavam que Dilma participasse do almoço, o que não ocorreu. A presidente recebeu as credenciais no Palácio do Planalto, na primeira cerimônia do tipo em um ano. Dilma foi criticada no Paraguai por ter feito o embaixador do país esperar dez meses. Estavam na lista Cuba, Alemanha, Chile e outros 28 países. / COLABOROU RAFAEL MORAES MOURA

 

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