Presidente promete mais reajuste do Bolsa-Família

Para Lula, críticos de seu governo perderam a sensibilidade ao criticar aumento do benefício

Leonencio Nossa, O Estadao de S.Paulo

01 de julho de 2008 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou os críticos de seu governo de perder a sensibilidade ao avaliarem como medida eleitoreira o reajuste de 8% do Bolsa-Família a partir de julho. Em seu programa de rádio Café com o Presidente, Lula argumentou que o aumento se deve à elevação do preço dos alimentos. "Aqueles que falaram que era eleitoreiro são pessoas que, me parece, perderam a sensibilidade", disse. A oposição, mesmo considerando eleitoreiro o reajuste, preferiu não condená-lo. Os líderes oposicionistas no Congresso, especialmente do Nordeste, chegaram a elogiá-lo. Foi o caso do deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA), que disputa a Prefeitura de Salvador e, na semana passada, posou ao lado de Patrus Ananias, ministro do Desenvolvimento Social e coordenador do Bolsa-Família.No rádio, Lula disse que resolveu conceder o aumento após analisar cálculos do Desenvolvimento Social e da Fazenda. A crise da falta de alimentos no mundo refletiu, segundo o presidente, no aumento do preço dos produtos. "Nós entendemos que a parte mais pobre da população, que ganha uma ajuda para comprar comida para levar para casa e sustentar a família, merecia a reposição inflacionária", afirmou. "Foi uma boa medida para garantir que as pessoas continuem levando para casa o necessário para a família inteira comer."Indagado sobre as avaliações de que a medida tem caráter eleitoreiro, Lula repetiu que o cálculo que definiu o aumento foi feito pela pasta de Patrus. "Como é que pode alguém imaginar que fazer um reajuste...", ensaiou uma resposta, demonstrando irritação. "Eu não queria fazer nada que pudesse indexar isso à inflação", completou. "Estamos dando o reajuste porque temos condições de dar, porque tem no Orçamento dinheiro para dar esse reajuste e vamos continuar reajustando o Bolsa-Família."O presidente, porém, evitou comentar a insatisfação dentro do próprio governo. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, resistia à idéia de aumentar o benefício. "À medida em que puder reajustar mais, vamos reajustar mais fortemente porque os que recebem o Bolsa-Família são a parte mais pobre da população e precisamos cuidar dessa gente com muito carinho", adiantou Lula.O benefício máximo do Bolsa-Família passa de R$ 172 para R$ 180. Atualmente, o programa atende cerca de 11,1 milhões de famílias que ganham até R$ 120 por pessoa.Lula ainda comentou a queda na taxa de desemprego. Ele avaliou que os números refletem investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e iniciativas de empresas privadas. "Não tem nada mais sagrado para um chefe de família ou para uma mulher do que trabalhar e, no final do mês, levar para casa o sustento da família com o dinheiro ganho com o seu suor."

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