Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Presidente promete buscar superávit de 0,7%

Dilma afirma em entrevista que meta será cumprida e que, para isso, vai enviar ao Congresso propostas de corte de gastos e aumento de receita

O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2015 | 02h02

A presidente Dilma Rousseff afirmou na tarde da última quarta-feira, 9, que será cumprida a meta de superávit primário das contas públicas no ano que vem, estimado em 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB), e prometeu encaminhar propostas ao Congresso para garantir esse objetivo.

Serão medidas para cortar gastos e aumentar receitas, disse a presidente em entrevista ao Valor Pro, do jornal Valor Econômico. O governo tem estudado o aumento de alíquotas de tributos como forma de elevar a arrecadação e na tentativa de cobrir o rombo do Orçamento de 2016.

Na semana passada, Dilma colocou em prática uma operação de apoio ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que esperava "consolidar" uma proposta orçamentária que indique, por meio de corte de gastos e aumentos de arrecadação, que a meta de superávit de 0,7% do PIB do ano que vem será atingida. Depois de uma reunião entre presidente e ministro no Palácio do Planalto, o governo anunciou que Levy permaneceria no cargo após Dilma ter se comprometido com a manutenção da meta de superávit.

No encontro, a presidente deixou claro que o governo alteraria a peça do Orçamento do ano que vem, enviada ao Congresso com um déficit inédito de R$ 30,5 bilhões, como defendia o ministro da Fazenda.

Grau de investimento. A entrevista de Dilma foi feita ontem à tarde - no início da noite, após o fechamento dos mercados, a agência internacional de classificação de risco Standard & Poor's retirou do Brasil o grau de investimento, uma espécie de selo de bom pagador que dá confiança aos investidores para aplicar dinheiro em um país.

Além de cortar a nota de BB+ para BBB-, a S&P manteve a perspectiva negativa, num sinal de que pode rebaixar ainda mais a classificação brasileira. O País, porém, ainda mantém a nota de grau de investimento das agências Fitch e Moody's.

Além da crise fiscal e falta de perspectiva de melhora das contas públicas, pesou na decisão da agência a crise política, sem sinais de melhora, segundo avaliação da agência.

"Os desafios políticos do Brasil continuam a aumentar, pesando sobre a capacidade e a vontade do governo em apresentar um Orçamento para 2016 ao Congresso coerente com a correção política significativa sinalizada durante a primeira parte do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff", afirmou a agência S&P ao justificar o rebaixamento da nota do Brasil.

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