Presidente pede votos para líder ruralista no Tocantins

Senadora Kátia Abreu retribui apoio registrado em vídeo elogiando a candidata petista no segmento do agronegócio

ROLDÃO ARRUDA, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2014 | 02h03

Em campos opostos na eleição de 2010, a presidente Dilma Rousseff gravou um vídeo pedindo votos para a senadora e líder ruralista Kátia Abreu (PMDB-TO), que está em campanha pela reeleição. "No Tocantins, eu peço seu voto para Kátia Abreu", diz ela, com ar convicto no vídeo divulgado pela campanha da senadora.

Em contrapartida, a líder ruralista não deixa passar comício sem elogiar o governo da petista ou conclamar o eleitorado tocantinense a votar nela. "Peço a vocês para darmos a ela a maior votação proporcional do Brasil, para que guarde o Tocantins com carinho no coração", disse dias atrás a senadora, que se licenciou da presidência da Confederação Nacional da Agricultura para disputar a reeleição.

É um cenário completamente diverso do que se viu na eleição de 2010, quando as duas se encontravam em lados políticos diferentes e não escondiam a antipatia que existia entre elas. Então filiada ao DEM, Kátia havia sido uma das críticas mais ácidas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso e não gostava da indicada para sucedê-lo. Em discurso no plenário do Senado, chegou a dizer que Lula agia como uma espécie de "general" da campanha de Dilma e que sua tática era "desleal", "injusta" e "devastadora para a democracia".

Na época, Kátia chegou a ser cogitada para ocupar o cargo de vice na chapa presidencial de José Serra (PSDB). Mais de uma vez disse publicamente que não votaria na indicada por Lula.

Após a eleição de Dilma, as duas começaram a se aproximar. No processo, Kátia Abreu baixou o tom das críticas aos movimentos de sem-terra, ao mesmo tempo que Dilma esfriava o processo da reforma agrária, reduzindo as desapropriações de terras para a criação de novos assentamentos. As duas começaram a repetir que era melhor cuidar da qualidade de vida e da produção nos assentamentos já existentes do que criar outros.

A aproximação se afinou mais quando a senadora deixou o DEM para se filiar ao PSD do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, agora candidato ao Senado. Hoje ela está no PMDB, que integra a base do governo no Congresso.

A aproximação tem sido boa para ambas. A senadora ganhou mais espaço para levar as reivindicações dos ruralistas ao Planalto. Pouco antes de se licenciar da CNA para concorrer à reeleição teve uma audiência de três horas com a presidente.

Do outro lado, Dilma conseguiu uma interlocutora para se reaproximar do agronegócio. Desde o início da campanha, Kátia defende o nome da presidente entre os ruralistas, ao mesmo tempo em que ataca Marina Silva. "Ela odeia o agronegócio", disse, referindo à candidata do PSB.

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