Presidente pede plano de educação a Mangabeira

Ministro de Assuntos Estratégicos terá de apresentar projeto para que governo avance em área que virou slogan

TÂNIA MONTEIRO E RAFAEL MORAES MOURA, Estadão Conteúdo

21 de março de 2015 | 08h37

Brasília - Em meio ao terremoto político provocado pela saída de Cid Gomes do Ministério da Educação (MEC), o Palácio do Planalto prepara uma proposta na área de educação que reverta o cenário político contaminado por notícias desfavoráveis ao governo. O projeto foi encomendado pela presidente Dilma, que elegeu o tema Pátria Educadora para seu segundo mandato, ao ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, quando Cid Gomes ainda estava à frente do MEC.

Ao longo das últimas semanas, Mangabeira tem procurado especialistas para tratar dos desafios na área de educação. Quer, assim, se cacifar para assumir o MEC, alvo de uma disputa interna do PT, que pretende retomar o controle da pasta.

O plano preparado por Mangabeira abrange a elaboração de uma base curricular nacional e a implantação de escolas de excelência para a formação de professores e diretores.

Apesar das inúmeras tentativas de reverter a onda de más notícias que atinge o governo, a presidente acabou se tornando refém dessa agenda negativa. Desde a vitória de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na presidência da Câmara, no início de fevereiro, seguido da retaliação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que devolveu ao Planalto a Medida Provisória que trata das desonerações das folhas de pagamento de setores da indústria, a presidente tem sofrido inúmeros revezes. Prosseguiu com o pronunciamento em cadeia de rádio e televisão, em homenagem ao Dia da Mulher, que desencadeou um protesto contra a presidente em várias cidades do País.


Mesmo tendo saído do Planalto para viajar, aconselhada pelo ex-presidente Lula, a presidente se protege com claques petistas contra hostilidades. E quando o problema não vem das ruas, é atropelada ou pela sua base no Congresso ou por seus ministros.

Nesta semana, Dilma viajou para Goiás e Rio Grande do Sul, concedeu nada menos do que três entrevistas à imprensa, lançou o pacote anticorrupção e promoveu cerimônia para encaminhar Medida Provisória da lei de modernização do futebol. Tudo para tentar gerar fatos positivos. Mas, na quarta-feira, o então ministro da Educação, Cid Gomes, travou um embate com deputados na Câmara, que acabou levando à sua demissão.

Para a semana que vem, Dilma se prepara para lançar nova revisão da lei do Supersimples – sistema de tributação diferenciado para pequenas empresas – e programa uma reunião com os governadores do Nordeste.

Ao mesmo tempo, poderá desencadear o processo de escolha do sucessor de Cid Gomes, embora haja quem aposte que Dilma vá deixar Luiz Cláudio Costa como interino por mais tempo. Mas, no início da semana, a presidente tem outro problema a ser resolvido: a permanência ou não do ministro Thomas Traumann, depois da publicação, pelo Estado, de um documento da Secretaria de Comunicação Social, dizendo que o País vive "um caos político", que desagradou à presidente . Ele está acompanhando tratamento médico de uma irmã, no exterior.

Nas redes sociais, representantes do movimento negro têm se mobilizado para emplacar no MEC a atual ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República, Nilma Lino Gomes.

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