Evaristo Sa/AFP
Evaristo Sa/AFP

Comemoração do 7 de Setembro é marcada por vaias e bonecos infláveis

Em Brasília, manifestantes levaram à Esplanada dos Ministérios bonecos que simbolizam ex-presidente Lula e Dilma

O Estado de S. Paulo

07 de setembro de 2015 | 12h22

BRASÍLIA - A comemoração de 7 de setembro na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, foi marcada por protestos e bonecos inflados da presidente Dilma Rousseff e o já famoso "Pixuleco", que tem o desenho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vestido de presidiário. O intenso isolamento realizado pelo Exército, no entanto, fez com que as manifestações contrárias ao governo não fossem ouvidas ou vistas do palanque ocupado por Dilma e pela cúpula de ministros que forma a articulação política.

Dilma chegou pontualmente às 9h para a cerimônia e ficou ao lado do vice-presidente Michel Temer. Apesar da existência de palanques ocupados por convidados e simpatizantes do governo, foi possível ouvir vaias vindas do lado de fora do evento quando a presidente abriu oficialmente a solenidade. A blindagem à presidente gerou críticas antes mesmo do desfile. Oposição e movimentos sociais disseram que, em razão da baixa popularidade da petista, o Planalto agiu para barrar os protestos. O ministro da Defesa, Jaques Vagner, afirmou que "não há nada de errado" em organizar a cerimônia "para que tenha dignidade". O titular da Comunicação Social, Edinho Silva, disse que as manifestações "fazem parte da democracia", mas admitiu que o "clima de intolerância" preocupa o governo.

Os dois ministros investigados na Operação Lava Jato por suposto uso de dinheiro de propina em campanhas eleitorais, Edinho Silva (Comunicação Social) e Aloizio Mercadante (Casa Civil), participaram do evento e foram defendidos por colegas na saída da cerimônia. Em meio a um desgaste na aliança entre PT¨e PMDB, só Temer e o ministro da Pesca, Helder Barbalho, representaram a sigla. Ministros petistas minimizaram a ausência de caciques do PMDB e disseram que não reflete o "termômetro político". 

Com o fim do desfile oficial em comemoração à Independência do Brasil, a Esplanada virou palco de manifestação contra o governo federal. Segundo estimativas oficiais, cerca de 500 pessoas se espalharam pelo local. Alguns manifestantes derrubaram o muro de proteção que foi colocado no gramado central para limitar o acesso dos populares durante o desfile. Policiais civis em greve protestaram, com tentativas de derrubar o mesmo muro, durante a cerimônia. Diversas pichações traziam palavras de ordem como "muro da vergonha" e "#fora Dilma".

Os bonecos de Lula e Dilma, que estouraram ao longo do desfile, foram novamente inflados ao final do evento. A boneca da presidente da República, que foi a surpresa do movimento, tem um pé na lama e um nariz de Pinóquio - personagem conhecido por contar mentiras. Um dos coordenadores do Movimento Brasil, Josan Leite, disse que a boneca da foi feita em São Paulo, como o Pixuleco do ex-presidente Lula, e teve o custo de R$ 13 mil. A boneca tem 13 metros e foi paga com dinheiro do movimento. 

As críticas ao governo vieram também do Movimento de Resistência Popular, que aproveitou o evento para cobrar mais moradias para a população de baixa renda. Um grupo de cerca de 200 pessoas, segundo estimativas da Polícia Militar, surpreendeu o esquema de segurança do desfile de 7 de setembro e queimou cerca de 30 pneus numa das vias de acesso à solenidade.

Lava Jato e reforma - O discurso dos ministros que falaram com a imprensa na saída foi uníssono na defesa de que Edinho e Mercadante são "apenas" investigados, sem que haja qualquer condenação sobre a participação de ambos no esquema de corrupção na Petrobrás. A abertura de investigação contra Mercadante e Edinho traz as apurações da Operação Lava Jato para dentro do Palácio do Planalto. Apesar disso, a sinalização é de que os inquéritos não devem influir na decisão da presidente Dilma sobre troca de pastas na reforma ministerial.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sugeriu que ambos devem permanecer no governo mesmo após a abertura das apurações pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki. "A presidente é quem decide a composição de seu ministério a qualquer tempo. O que posso afirmar é que não há indicador objetivo que leve à condenação ou ao prejulgamento de ninguém", disse o ministro da Justiça, ao deixar o desfile. O ministro da Defesa, Jaques Vagner, afirmou que as apurações não constrangem o governo: "não tem prejulgamento, então não há constrangimento", reforçou.

"Vamos esperar a investigação. Se fosse uma denúncia seria diferente", disse Jacques Vagner. Cardozo foi enfático ao dizer estar certo de que os dois ministros não serão investigados. 

A reforma ministerial, com corte de dez ministérios, foi anunciada pela presidente no final de agosto e deve ser concluída ainda neste mês. Edinho afirmou que a presidente Dilma é "quem contrata e quem demite" ministros e se disse tranquilo com as investigações. "O processo de arrecadação (para campanha eleitoral) ocorreu de forma ética, critérios morais e seguindo a legislação, por isso (as contas) foram aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral", defendeu-se. Diferente do ministro da Comunicação Social, que respondeu os questionamentos da imprensa, Mercadante saiu sem fazer comentários sobre as investigações. (Com reportagem de André Borges, Beatriz Bulla, Carla Araújo, Gustavo Porto, Leonêncio Nossa e Tânia Monteiro).

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