''''Presidente não é obrigado a acatar sugestões''''

Paulo Skaf, presidente da Fiesp[br]Entrevista

Luciana Nunes Leal, O Estadao de S.Paulo

21 de janeiro de 2008 | 00h00

Apesar das desavenças com o presidente da República, principalmente em razão da campanha contra a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, é um defensor do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) e diz que Lula não tem obrigação de acatar as sugestões, já que se trata de um órgão não deliberativo.O conselho cumpre seu papel de aconselhamento? O papel do conselho é de aconselhamento do presidente da República, e não do governo. O conselho não nasceu para tomar decisões. É um conselho numeroso, heterogêneo, com vários perfis da sociedade brasileira. Acho que cumpriu e cumpre seu papel. Se alguém entende que não cumpre, é porque não entendeu que é um conselho consultivo. O presidente Lula aceita as recomendações do conselho? Se alguém aceita ser conselheiro, não significa que o presidente é obrigado a acatar o que o conselho diz. Eu aceitei o cargo consciente de que se trata de conselho consultivo e sem nenhuma pretensão ou ansiedade de que o presidente seja obrigado a aceitar meus conselhos. A pessoa tem o direito de não aceitar. O conselho debate assuntos relevantes e temos consciência de que o presidente pode aproveitar algumas recomendações e não aproveitar outras. É a coisa mais normal do mundo.O senhor acredita que o conselho perdeu prestígio desde que foi criado, em 2003? O presidente Lula tem prestigiado muito o conselho. Participa de todas as reuniões plenárias. Sempre prestigiou e fez com que os ministros prestigiassem. E o conselho é uma oportunidade para as pessoas se conhecerem. Não tem altos custos para o governo. Não vejo nada de negativo. Me considero um membro do conselho do presidente.Um conselho tão numeroso consegue chegar a algum consenso? Chegamos a consenso em alguns assuntos. Temos os grupos de trabalho. Por problema de tempo, não tive oportunidade de participar dos grupos, mas vou às plenárias, procuro não faltar. E destaco que o presidente nunca tirou a liberdade dos conselheiros. O vínculo com o conselho não significa falta de liberdade ou mudança de convicções. Os conselheiros não têm que defender as teses do governo, eles têm independência.

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