Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

'Presidente, não deixe te transformarem na rainha da Inglaterra', diz apoiador a Bolsonaro

No domingo, presidente disse que 'algo subiu na cabeça' de alguns de seus subordinados, sem citar o nome do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta

Emilly Behnke, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2020 | 11h11

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro ouviu um pedido inusitado na manhã desta segunda-feira, 6, de um apoiador que o aguardava em frente ao Palácio da Alvorada. "Presidente, não deixe te transformarem na rainha da Inglaterra, viu?", gritou, de longe, um homem não identificado. Bolsonaro apenas acenou, sem responder. Pouco depois, deixou o local.

Veja a partir de 3:50:

O presidente tem sido contrariado pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, sobre a melhor estratégia de enfrentamento ao novo coronavírus. Enquanto Bolsonaro defende flexibilizar medidas como fechamento de escolas e do comércio para mitigar os efeitos na economia do País, permitindo que jovens voltem ao trabalho, o ministro tem mantido a orientação da pasta para as pessoas ficarem em casa. A recomendação do titular da Saúde segue o que dizem especialistas e a Organização Mundial de Saúde (OMS), que consideram o isolamento social a forma mais eficaz de se evitar a propagação do vírus.

Ministro e presidente também têm se desentendido sobre o uso da cloroquina em pacientes da covid-19. Bolsonaro é um entusiasta do medicamento indicado para tratar a malária, mas que tem apresentado resultados promissores contra o coronavírus. Mandetta, por sua vez, tem pedido cautela na prescrição do remédio, uma vez que ainda não há pesquisas conclusivas que comprovem sua eficácia contra o vírus.

No domingo, quando também se encontrou com apoiadores no Alvorada, Bolsonaro disse que “algo subiu na cabeça” de alguns de seus subordinados, mas que a “hora deles vai chegar”. “A minha caneta funciona”, afirmou Bolsonaro, sem, no entanto, citar o nome de Mandetta. Ele já havia falado na semana passada que faltava "humildade" ao subordinado, mas que não pretendia demiti-lo "no meio da guerra", em referência à crise do coronavírus.

Na manhã desta segunda-feira, encontrou respaldo de um outro apoiador caso queira demitir Mandetta. "O senhor fala que em time que tá ganhando não mexe, mas o senhor é treinador. Quando tem cara fazendo gol contra, pode trocar que a população vai apoiar. Chega e fala: 'olha, o cara tá fazendo gol contra'", afirmou. Bolsonaro também não respondeu.

O presidente tem como hábito parar na saída e na chegada ao Palácio da Alvorada para conversar com apoiadores que se aglomeram em um espaço cercado na portaria. Nos encontros, costuma tirar fotos e ouvir demandas de entusiastas de seu governo. 

Isolamento social

Bolsonaro também afirmou aos apoiadores nesta segunda-feira que participará de uma reunião sobre isolamento social pela manhã. Em resposta a um homem que lhe perguntou sobre o tema, o presidente afirmou, sem entrar em detalhes: "Eu tenho às 9h uma reunião sobre esse assunto”.

Na agenda pública de Bolsonaro ainda não há, contudo, previsão de compromisso no horário citado. A Secretaria Especial de Comunicação  da Presidência também não divulgou informações sobre a reunião.

Nesta segunda-feira, a primeira agenda oficial do Bolsonaro é uma reunião com Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores. Ao longo do dia também está previsto o recebimento de cartas credenciais de embaixadores do Egito, Croácia, Itália, Honduras, Polônia, Irá e Estados Unidos.

A entrega é um procedimento padrão em que embaixadores recém-nomeados comparecem ao Palácio do Planalto para informar oficialmente que estão sendo indicados como representante de suas nações no Brasil.

Na agenda do presidente consta ainda reunião com os ministros residentes no Planalto: Braga Netto, (Casa Civil), Jorge Oliveira (Secretaria-Geral); Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional).

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