Reprodução
Reprodução

‘Presidente mente para justificar o injustificável’, diz governador do RS

Em entrevista ao Broadcast Político, Eduardo Leite diz que presidente é uma 'liderança na direção contrária ao que o mundo pratica'

Pedro Caramuru, Gustavo Porto e Idiana Tomazelli

11 de março de 2021 | 21h40

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB) fez duras críticas ao presidente Jair Bolsonaro e à forma como o governo federal tem conduzido o combate à pandemia no País. Durante entrevista ao Broadcast Político, afirmou que se sente frustrado com a postura do presidente sobre a covid-19, que classificou como “mais do que omissão”: “É liderança na direção contrária ao que o mundo pratica”. 

Segundo o governador, o presidente “mente” sobre os recursos que foram repassados às unidades federativas “para justificar o injustificável” e “desperdiça energia” em discussões com os governadores.

“O presidente da República, quando deveria estar oferecendo ajuda aos Estados e, principalmente, vacinas, coloca mais energia em atacar os outros governantes. Será que é assim? Todos os governadores e prefeitos estão errados e o presidente da República é quem está certo?”, argumentou o governador.

Para Leite, sob o governo Bolsonaro, o País tem tido dificuldades para a articulação internacional, que compromete o acesso a vacinas e é fruto, entre outros motivos, das agressões à China e aliança entre o presidente brasileiro e o governo do ex-presidente americano Donald Trump. A aproximação com Trump e as medidas negacionistas fizeram o País ser visto como um problema internacional e compromete a vacinação, avalia.

"(Bolsonaro) desprezou a gravidade da doença e quando o Brasil finalmente se engaja para comprar vacinas, pega um tíquete lá no fim da fila e vê outros países, como o Chile, avançando", afirmou.

Segundo Leite, o presidente terá o "apoio e solidariedade" de Leite caso tenha a disposição de rever seus atos e chamar os governadores para trabalharem em uma mesma direção. "Não se trata de questão ideológica ou eleitoral, se trata de salvar vidas", completou.

Sobre a possibilidade de disputar as eleições presidenciais no próximo ano, Leite - que é cotado pelo partido como uma opção tucana na disputa ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB) - evitou dizer se disputará as prévias da sigla para a indicação e disse ser "desconfortável" discutir o assunto diante da situação da pandemia no País. Leite, entretanto, afirmou que foi convidado por membros do partido como "opção aos extremos" e disse ter interesse em construir uma posição de centro, com "sensatez e sobriedade".

O governador evitou dizer se apoia o impeachment do atual presidente. Segundo o governador, a discussão deve ser feita no Congresso Nacional uma vez que tem uma relação institucional que deve ser mantida. "É uma tristeza que após trauma recente, tenha que se aventar a possibilidade de impeachment".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.