'Presidente Lula terá que tomar providências', diz Garibaldi

Presidente do Senado quer reação conjunta do Judiciário e do Legislativo à ação de espiões do governo

Christiane Samarco, João Domingos e Leonencio Nossa, de O Estado de S. Paulo,

30 de agosto de 2008 | 13h26

O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), vai procurar o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, nesta segunda feira para articular uma reação conjunta do Judiciário e do Legislativo à ação de espiões do governo que, segundo reportagem da revista Veja, grampearam telefones dos dois chefes de Poder e de senadores de vários partido, inclusive do PT. "O presidente Lula terá que tomar providências. Ele tem um papel decisivo no sentido de afastar qualquer possibilidade de que o seu núcleo de poder esteja patrocinando e incentivando isto", disse o presidente do Senado. Veja também: Presidente do STF foi grampeado pela Abin, diz revista Veja Abin diz que abrirá sindicância para apurar grampos  Supremo quer que Lula esclareça grampos da Abin, diz Mendes No caso do grampo aos presidentes do Congresso e do STF, Garibaldi diz que está em jogo mais do que a privacidade de um senador e de um ministro do STF. "Devemos adotar providências conjuntas para defender as prerrogativas dos nossos cargos, como chefes de dois Poderes", insiste. A seu ver, "reações indignadas são legítimas", mas é preciso ir além e estudar providências legais para impedir que isto tenha continuidade, além de apurar e punir o crime que já foi praticado". Garibaldi avalia que o presidente Lula precisa "agir dentro do governo" para reprimir o que está acontecendo. "Acho que, com esta conotação e esta gravidade, esta situação é inédita no Brasil". Diante da informação de que as escutas clandestinas seriam patrocinadas por arapongas da Agência Brasileira de Inteligência, o senador afirma que também cobrará explicações do diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda. "A Abin terá que prestar contas ao Congresso e a Justiça". Sem perder o humor apesar da gravidade da situação, Garibaldi desabafa: "Presidentes dos dois Poderes grampeados, não dá. Para manter ao equilíbrio e a harmonia entre os três Poderes, têm que grampear também o outro (o Executivo)".

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