Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Presidente interino, Maia lamenta não poder fazer campanha para o pai no Rio

O deputado consultou advogados de sua confiança para saber como deveria proceder na campanha, mas foi aconselhado a não ir para a rua pedir votos, porque não há regra clara para a ressarcimento dos recursos públicos gastos com o presidente interino

Luciana Nunes Leal, O Estado de S. Paulo

03 de setembro de 2016 | 14h56

Presidente interino da República durante a viagem de Michel Temer à China,  o presidente da Câmara,  Rodrigo Maia (DEM-RJ), passa o fim de semana no Rio e, no início da tarde deste sábado,  lamentou não poder fazer campanha ao lado do pai,  o ex-prefeito Cesar Maia (DEM), vereador que tenta a reeleição.  

O deputado consultou advogados de sua confiança para saber como deveria proceder na campanha.  Foi aconselhado a não ir para a rua pedir votos, porque não há regra clara para a ressarcimento dos recursos públicos gastos com o presidente interino, como segurança e transporte,  para exercer uma atividade partidária. 

 "A campanha já é curta e não pude fazer campanha para meu pai.  Como é uma interinidade de quatro ou cinco dias,  não daria tempo para montar uma estrutura particular paralela (sem gastos públicos) de segurança,  transporte. Como me inspiro no Marco Maciel,  não é o caso de gerar conflito", disse Maia ao Estado, citando o vice-presidente de Fernando Henrique Cardoso. Maciel era do PFL, hoje DEM, e conhecido com articulador discreto e pelo bom trânsito em diferentes setores.  

Cesar Maia fez campanha na zona oeste, região onde pai e filho são bem votados,  nesta manhã.  

O presidente interino fez exercícios no prédio onde mora pela manhã e recebeu cumprimentos dos vizinhos.  "Tem que cumprimentar diferente? ", brincou um deles.

A segurança de Rodrigo Maia como presidente da Câmara foi reforçada por causa da interinidade na presidência da República e neste sábado havia um carro para Maia e outros três para a escolta do parlamentar e sua família. 

Na noite de sexta-feira,  o  deputado foi a uma festa na residência oficial do prefeito Eduardo Paes (PMDB), na Gávea Pequena (zona sul). Maia disse que não se tratou de política e era apenas uma comemoração. 

O parlamentar evitou temas controversos como a votação fatiada, no Senado,  do impeachament da presidente Dilma Rousseff,  que perdeu o mandato,  mas manteve os diretos políticos. Maia marcou para o dia 12 de setembro a votação no plenário da Câmara do processo de cassação do mandato de seu antecessor no comando da Câmara,  deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Cunha pode se beneficiar do precedente aberto no Senado não tanto por causa do fatiamento, mas porque houve uma modificação no rito,  quando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que presidia a sessão do Senado,  autorizou o destaque que permitiu a votação separada do impeachament e dos direitos políticos.  

A expectativa de aliados de Cunha é conseguir colocar em votação a possibilidade de uma punição mais branda que a cassação do mandato, como suspensão,  que não implica no impedimento de participar de novas eleições. 

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