Presidente faz aceno a aliados e PT reclama

Padilha e Lindbergh ficam em segundo plano na estratégia da campanha da presidente, que dá prioridade aos mais bem colocados nas pesquisas

O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2014 | 02h03

O enfrentamento entre PT e PMDB em dois dos três maiores colégios eleitorais do País chegou literalmente ao Palácio do Planalto. O governo conta com os palanques duplos no Rio e em São Paulo para reeleger a presidente Dilma Rousseff, mas não tem sido fácil a tarefa de administrar as insatisfações locais dos partidos aliados.

Com a campanha em crise, o candidato petista em São Paulo, Alexandre Padilha, se reuniu ontem com Dilma para tentar neutralizar a aproximação dela com o peemedebista Paulo Skaf, mais bem colocado nas pesquisas. No Rio, os petistas não gostaram de saber que a presidente estreia hoje em ato de campanha no Estado ao lado de Luiz Fernando Pezão (PMDB), candidato à reeleição.

Embora dirigentes do PT reclamem nos bastidores da estratégia, Padilha amenizou o mal estar. "Não tem estresse nenhum. Já coordenei a campanha de Dilma em São Paulo, em 2010, e sei que nessas horas é preciso conversar com todo mundo, com governadores, candidatos, até com prefeitos do PSDB e do DEM", disse Padilha após reunião com o presidente do PT, Rui Falcão.

O PMDB do vice-presidente Michel Temer planeja o primeiro evento de campanha com Dilma e Skaf juntos para 23 ou 30 de agosto, no interior paulista, apesar de o ex-presidente da Fiesp resistir à aproximação.

Questionado se não era constrangedor ver Dilma dar prioridade ao palanque de Skaf, sem definir atos de campanha com o PT, Padilha desconversou. "Não tem ataque de nossa parte. É só dar o microfone na boca dos candidatos que eles se revelam. Vai perguntar como tratam, por exemplo, os movimentos sociais", afirmou, sem citar nomes.

Primeiro lugar. No Rio, Pezão passou à frente do petista Lindbergh Farias na disputa pela agenda de Dilma. A presidente participa hoje de jantar em São João de Meriti com Pezão e prefeitos do partido aliado. A ideia é enfraquecer o movimento "Aezão", articulado pelos peemedebistas que apoiam o tucano Aécio Neves para a Presidência e Pezão para o governo fluminense. O ato, batizado de "Dilmão", incomodou Lindbergh e a direção do PT fluminense.

Há cerca de 45 dias, a direção estadual sugerira que Dilma iniciasse a corrida eleitoral no Estado com ações separadas com cada um dos quatro candidatos da base aliada. Além de Pezão e Lindbergh, a presidente tem apoio de Anthony Garotinho (PR) e Marcelo Crivella (PRB). O PT do Rio ficou sem resposta e só posteriormente soube que Dilma começaria a campanha no Rio ao lado de Pezão.

"Desejo sorte a ela (Dilma)", disse ontem Lindbergh, durante caminhada em São Gonçalo, na região metropolitana, ao comentar o jantar de Dilma e Pezão. "Sempre estarei à disposição." / VERA ROSA, DAIENE CARDOSO e WILSON TOSTA

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