Presidente endossa Renan e culpa oposição pelo tumulto

Discussão foi ?lamentável?, afirma ele, mas minoria tenta agir como se fosse maioria, mesmo sem ter votos

Vera Rosa e Tânia Monteiro, O Estadao de S.Paulo

08 de agosto de 2009 | 00h00

Preocupado com o agravamento da crise no Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou com assessores que o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), resumiu muito bem a percepção do governo sobre as ações de tucanos e democratas no Congresso ao afirmar que a oposição era "minoria com complexo de maioria". A frase de Renan foi dita durante bate-boca no plenário com Tasso Jereissatti (CE), na quinta-feira.Embora considere "lamentável" a troca de insultos entre os senadores, Lula avalia que os adversários adotam a "tática da muvuca" e agem como se tivessem mais votos. Renan é o chefe da tropa de choque montada para socorrer o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e também já foi apoiado por Lula, em 2007, quando acabou renunciando à presidência do Senado para escapar da cassação.O governo quer a permanência de Sarney, mas Lula tem seguido à risca a estratégia de não mais mexer nesse vespeiro em público, para evitar desgaste.Faz exatamente oito dias que o presidente não fala sobre a crise. Na tentativa de evitar que o terremoto político contamine o governo, ministros repetem como um mantra que "a crise é do Senado". Na prática, porém, o Planalto está apreensivo com os efeitos colaterais da febre na Casa presidida por Sarney."É triste o que está acontecendo no Senado. A situação se complicou de novo e a temperatura está muito alta", afirmou o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro.Lula insiste em que é preciso ajudar Sarney. Depois dos xingamentos de quinta-feira entre Renan e Tasso, no entanto, senadores do PT discutem a possibilidade de ajudar a oposição no Conselho de Ética."Não é um bom caminho para o Senado arquivar todas as representações de forma sumária", disse o senador Aloízio Mercadante (SP), líder do PT. "Vamos analisar caso a caso."Convencido de que o segundo round da guerra está nas mãos do PT, Lula pretende conversar com líderes e dirigentes do partido na próxima semana. No diagnóstico do presidente, o apoio do PMDB é essencial para garantir a governabilidade. Além disso, Lula está de olho na eleição de 2010 e quer o PMDB unido em torno da candidatura ao Planalto da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT).Na contramão do desejo do presidente, o PMDB e o PT vivem às turras em vários Estados, dificultando a montagem de um palanque único para Dilma. Na Bahia, por exemplo, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), rompeu com o governador Jaques Wagner (PT), que é candidato à reeleição.

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