Presidente do TRE-RJ reafirma ser contra envio de tropas

Roberto Wider volta a falar sobre segurança nas eleições e diz que comunidades rejeitam confronto

CLARISSA THOMÉ, Agencia Estado

31 Julho 2008 | 19h48

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio, desembargador Roberto Wider, reagiu nesta quinta-feira, 31,  com irritação ao ser informado de que o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) havia feito novas declarações em defesa do envio de forças federais para a capital fluminense, durante as eleições. "Eu acho que o governador devia solicitar isso diretamente ao presidente Lula ou ao ministro da Justiça (Tarso Genro), dentro da área da segurança do Estado. Não em função da Justiça Eleitoral. É preciso distinguir: dentro da fase eleitoral, nos limites da atribuição da Justiça Eleitoral, nós não queremos nem somos responsáveis pela segurança que compete ao Estado fornecer a todos os cidadãos", afirmou.   Veja também: Candidatos reagem a 'currais' do tráfico e milícias no Rio Tarso quer PF para apurar atuação do tráfico em eleição no Rio No Rio, candidata faz campanha com escolta Deputado suspeito de ligação com milícias é preso no Rio Conheça os candidatos nas principais capitais  Calendário eleitoral das eleições deste ano  Especial tira dúvidas do eleitor sobre as eleições    Veja as regras para as eleições municipais   Wider afirmou que é obrigação do Estado assegurar o direito de ir e vir dos cidadãos. "É interessante notar que não é só o candidato que é impedido de ir a algum lugar, mas o carteiro, os oficiais de Justiça, entregadores de gás e outros serviços também não podem subir (em morros dominados por tráfico ou milícia)." O reforço imediato nas eleições havia sido descartado em reunião entre ele e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres Brito, ontem. Cabral disse hoje que havia telefonado para Britto ontem e reiterado a posição do governo do Rio de receber a Força Nacional de Segurança Pública (FNSP), Polícia Federal (PF) ou Exército. Para o governador do Rio, é bem-vindo tudo o que possa "ajudar no combate à criminalidade, garantir o trabalho dos profissionais de comunicação e a tranqüilidade dos candidatos a vereador ou a prefeito no Rio". "Sei que o governador ligou para o ministro. Mas o ministro está preocupado que protejamos a regularidade dos serviços eleitorais, não com a segurança que o Estado deve fornecer de maneira geral aos cidadãos. É isso o que nos compete. Excepcionalmente, a Polícia Federal já está organizada para que quaisquer pessoas possam solicitar lá essa garantia (de presença para campanha em áreas dominadas pelo tráfico ou milícia)." No dia 11, o presidente do TSE e Genro vêm ao Rio para se reunir com Wider. Eles analisarão o resultado da investigação da PF sobre candidatos que possam ser beneficiados por milícias ou traficantes. "Com esses elementos, a gente espera poder barrar candidaturas". afirmou o presidente do TRE do Rio. A assessoria do governo do Estado informou que Cabral não comentaria as declarações de Wider. Candidato O candidato a vereador Claudinho da Academia (PSDC), acusado pela polícia de receber apoio do tráfico na Favela da Rocinha, entregou nesta tarde a defesa ao TRE. Entre os documentos anexados, estão certidões negativas. "A imprensa noticiou que tenho uma ficha corrida com 22 anotações criminais, mas, na verdade, são homônimos. Eu nunca entrei numa delegacia", afirmou. Claudinho da Academia, que chorou, disse que pensa em desistir da candidatura. Ele disse que o documento apreendido pela polícia na casa de um traficante, com supostas instruções sobre como seria a campanha na Rocinha, não cita o nome dele.

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