Presidente do TCU cita Petrobrás como exemplo de problemas de gestão pública

Augusto Nardes afirma que crítica não é dirigida ao governo, e sim à estrutura de administração do Estado brasileiro

José Roberto Castro, O Estado de S. Paulo

11 de setembro de 2014 | 14h31

São Paulo - O presidente do Tribunal de Contas da União, Augusto Nardes, criticou nesta quinta-feira 11, a falta de planejamento e governança no Estado brasileiro e citou a Petrobrás como exemplo. Para Nardes, contudo, o problema não envolve apenas a empresa ou o governo federal. "Eu não estou criticando o governo federal, estou criticando a estrutura. A falta de planejamento leva à corrupção, o fato de não existir governança facilita a corrupção. Não tem planejamento, metas, nem avaliação de risco como o que aconteceu em relação à Petrobrás", analisou.

A fala do presidente da Corte de Contas ocorre em um momento em que a estatal é alvo de críticas dos candidatos de oposição Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB), que acusam a gestão petista de aparelhamento da estatal. A ex-ministra do meio ambiente chegou a afirmar que a Petrobrás estava sendo destruída "pelo uso político, o apadrinhamento e a corrupção".

Além de Pasadena, o presidente do TCU usou como exemplo de falta de análise de risco da decisão da Petrobrás de construir quatro refinarias ao mesmo tempo, no que chamou de "decisão política".

A ausência de governança, segundo ele, também está presente na falta de articulação entre os ministérios, o que, na sua opinião, é um problema mais importante do que o extenso número de pastas (39). "Passa pela questão da governança. Se não houver o planejamento adequado, não adianta ter 20 ou 30 (ministérios)", afirmou, antes de completar: "O que questionamos é que, como está, não está funcionando." A redução do número de ministérios também vem sendo defendida por Aécio e Marina.

Nardes criticou ainda o que chamou de falta de memória nos órgãos públicos causada pelas mudanças bruscas a cada troca de gestão, o que cria ineficiência nos gastos.

Delação. O presidente do TCU também admitiu há pouco que os depoimentos em delação premiada que o ex-diretor Paulo Roberto Costa faz à Polícia Federal podem interferir no processo administrativo da corte sobre a compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras. "Claro que o fato da delação poderá ter repercussão no processo. Se tiver alguma coisa a ver com o processo." O julgamento, contudo, ainda não tem prazo para ser retomado, pois o ministro Aroldo Cedraz de Oliveira pediu vista do processo e só depende dele definir .




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