Presidente do STJ tentará negociar fim de greve

O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Paulo Costa Leite, decidiu tirar a toga e intermediar as negociações entre o Ministério da Educação (MEC) e os grevistas das universidades federais. Professor licenciado de uma faculdade particular de Brasília, Costa Leite abriu seu gabinete aos líderes do Sindicato Nacional dos Docentes (Andes) e aceitou, na hora, o convite feito pelos sindicalistas para participar das conversas com o MEC. "Só espero um sinal verde do governo", disse o ministro.Mesmo obrigados a usar terno, roupa pouco usual nas assembléias sindicais, os representantes do Andes sentiram-se à vontade no sisudo prédio do STJ. Foi ali que os professores conseguiram, no final de setembro, liminar do ministro Gilson Dipp garantindo o pagamento do salário no período de greve. Mas uma decisão do ministro Ilmar Galvão, do Supremo Tribunal Federal, na semana seguinte, derrubou a liminar, tornando legal o bloqueio do vencimento pelo ministro da Educação, Paulo Renato Souza.Paulo Costa Leite afirmou que resolveu entrar na briga por uma questão de responsabilidade pública, e porque a crise é "grave". "Sem procurar responsáveis pelos dias sem aulas, devemos agir em busca de uma solução mais breve possível", disse. "A intermediação depende de vontade das duas partes." Presidente do STJ desde o ano passado, Paulo Costa Leite garantiu reajuste de 11,98% para os servidores do Judiciário. O ministro foi um crítico da publicação de Medidas Provisórias, antes da aprovação da lei que restringiu a edição desse instrumento. Mas ele se esquivou em comentar sobre o salário dos professores das universidades federais. "Eu era professor de instituição privada, não sei como era o salário na rede pública", afirmou. Gaúcho de Porto Alegre, Costa Leite, de 52 anos, foi professor de Teoria Geral do Processo e Direito Processual Civil da Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal (AEUDF).Não é a primeira vez que os sindicalistas tentam um intermediador para as negociações com o MEC. Eles já bateram, sem sucesso, na porta do presidente do Senado, Ramez Tebet (PMDB-MS), do presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), e de uma série de líderes partidários. Também tentaram uma audiência com o presidente Fernando Henrique Cardoso.Desde o início da greve dia 22 de agosto, os representantes do Andes só estiveram cinco vezes no MEC. O bloqueio do salário de setembro levou os sindicalistas a interromperam duas vezes as conversas com representantes do ministério. Tanto o Andes quanto o ministro Paulo Renato Souza reclamam da intransigência e inflexibilidade da outra parte em resolver o impasse. Representantes do MEC, inclusive, rasgaram elogios, diversas vezes, ao "profissionalismo" dos sindicalistas da Federação de Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra), numa forma de criticar a performance dos líderes dos professores nas negociações. Já os sindicalistas do Andes afirmam que o MEC não cumpre o que promete nas mesas de discussão.

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