Presidente do STJ diz que aumento vem em boa hora

O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Nilson Naves, disse que o reajuste concedido ao Poder Judiciário veio no momento certo, embora não atenda por inteiro às expectativas dos servidores e dos magistrados. "Foi o que era possível fazer", disse, após assistir à posse do novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. "Não há quem agüente ficar tanto tempo sem o aumento, sabendo todos que as coisas estão aumentando quase que diariamente", justificou. O ministro acha que os parlamentares não devem aumentar os próprios salários porque, além de R$ 8 mil brutos, "eles têm uma série de vantagens". "Eles já ganham mais", insistiu. Para Nilson Naves, por só terem uma atividade, é necessário que os juízes ganhem remuneração "de razoável para boa, para que possam ter tranqüilidade no exame dos processos". "O aumento é justo e veio na hora certa", defendeu. Segundo ele, não há necessidade de reajustes adicionais ao Orçamento da União, porque os tribunais já foram penalizados com a suspensão das obras que vinham tocando. "O governo cortou do Orçamento do Judiciário R$ 111 milhões e isso era para obras, sendo que R$ 54 milhões eram da Justiça Federal", explicou. "Mas esse corte é só para obras, e não para pessoal". O ministro lembrou que a idéia de implantar a isonomia salarial no País foi abandonada, há dois anos, quando os dirigentes dos três Poderes não conseguiram chegar a um acordo sobre o valor do teto salarial. "O teto é inviável e não sairá", previu. Ele disse que não vê o risco do Judiciário se desgastar por ser o único favorecido pelo reajuste. "A população há de compreender que o Judiciário deve ter uma remuneração digna para que possa desempenhar bem as suas funções", alegou. Perguntado sobre o que acha do valor do salário mínimo, o ministro foi categórico: "Acho muito pouco, muito pouco", declarou, encerrando a entrevista.

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