Presidente do STF diz que será bom "zelador" da presidência

Em noite de black-tie, às vésperas de assumir a presidência da República, o ministro-presidente do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, afirmou nesta segunda-feira em São Paulo que suas relações pessoais com Fernando Henrique Cardoso ?são as melhores possíveis?. ?Às vezes posso não concordar com certas coisas, mas admito que ele (FHC) tem uma política governamental em curso e que precisa buscar amparo?, disse Marco Aurélio.Sobre os 5 dias úteis em que permanecerá no Palácio do Planalto ? a partir desta quarta-feira até a próxima terça ?, ele prometeu: ?Num jargão bem a gosto do carioca, eu digo que serei na casa um bom zelador.? Marco Aurélio assegurou que não haverá surpresas. ?Não se pode esperar nada de novo no contexto da administração pública, nada de novo em termos de política governamental.?O ministro falou de seus planos como chefe do Executivo, pouco antes de participar da solenidade de criação da Universidade Zumbi dos Palmares, a primeira no País lançada por uma ONG da comunidade negra, a Afrobras. Na quarta-feira, às 8 horas, Marco Aurélio passa a ocupar interinamente o governo. A transmissão vai ocorrer na Base Aérea de Brasília, onde Fernando Henrique embarca para a Europa.?Temos um contato de cariocas que falam como se estivessem realmente na mesa de um bar, conversando com absoluta espontaneidade e sinceridade?, disse o ministro. ?Ele me respeita como juiz e eu o respeito como presidente.? A agenda de Marco Aurélio prevê que seu primeiro compromisso na presidência será receber um grupo de ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST).Indagado sobre eventual reivindicação de verbas para a corte trabalhista, o presidente do STF declarou: ?Acho democrático e republicano se levarem alguma pretensão; se puder resolver, eu resolverei, mas, se não puder, passarei o caso ao titular da cadeira.? Marco Aurélio afirmou estar ?muito tranqüilo? diante da nova missão. ?Vou agir dentro dos princípios que estabeleci na vida, apenas me curvando à própria consciência.?O ministro disse que, quando cursava a faculdade, ?não se imaginava sequer juiz, o que dirá presidente da República, mesmo numa eventualidade?. O presidente do STF disse ter ?pena? do presidente, ao comentar detalhes do aparato de segurança em torno do chefe do Executivo. ?A vida do cidadão presidente da República é cerceada porque os cuidados são enormes, como se nós tivéssemos no Brasil um passado comprometedor em termos até de atentado.?Marco Aurélio afirmou ter ficado ?assustado?. ?Eu disse ao general Alberto Cardoso (ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional): ?eu sou um homem muito simples, um homem que vai ao mercado?, mas ele me fez ver, e eu compreendi, que a segurança, no caso, é institucional; assim, não é um direito, é um dever.?

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