Presidente do STF diz que pode julgar constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa antes das eleições

Peluso afirma que decisão de Ayres Britto contra Roriz não sinaliza posição da corte

Leonencio Nossa, de O Estado de S. Paulo

09 de setembro de 2010 | 12h34

BRASÍLIA - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cezar Peluso, disse nesta quinta-feira, 9, pela manhã, que o plenário da Corte "tem possibilidade" de julgar antes das eleições a constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa. Em entrevista no Palácio do Planalto, após participar de uma cerimônia, Peluso foi questionado sobre a nova lei, que está impedindo a candidatura de políticos com problemas na Justiça. "É bem possível que se julgue antes das eleições", disse.

 

Na rápida entrevista, Peluso disse que a decisão tomada ontem pelo ministro Carlos Ayres Britto, que julgou improcedente a reclamação do candidato ao governo do Distrito Federal Joaquim Roriz, não significa uma sinalização do julgamento da constitucionalidade do Ficha Limpa pelo Supremo. "Não é sinalização de nada. É simplesmente a postura do ministro que deu a decisão", afirmou Peluso, referindo-se a Ayres Britto.

 

Roriz está enfrentando dificuldades em manter sua candidatura por causa da nova lei. O TSE indeferiu o registro de sua candidatura, o que levou Roriz a recorrer ao Supremo. Ontem, Ayres Britto negou o recurso ao candidato, que ainda pode recorrer ao plenário do STF.

 

Peluso evitou ainda comentários sobre o escândalo da quebra de sigilo fiscal de tucanos e parentes do candidato do PSDB à presidência, José Serra. "Isso é assunto para os políticos", disse, enquanto tentava deixar o térreo do Planalto e se desvencilhar dos jornalistas.

 

O ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, que estava ao lado de Peluso, limitou-se a dizer que o caso da quebra de sigilo está sendo investigado pela Polícia Federal. Barreto chegou a dizer que daria uma entrevista para responder às perguntas dos repórteres, mas deixou o Palácio do Planalto sem atender à imprensa.

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