Presidente do Sivam quer aprovação da Lei do Abate

O presidente da Comissão para a Coordenação do Projeto de Sistema de Vigilância Amazônia (Sivam), brigadeiro-do-ar Teomar Fonseca Quírico, defendeu nesta terça-feira a aprovação da Lei do Abate, que prevê a derrubada de aviões usados para o tráfico de drogas, e negou que informações produzidas pelo sistema estejam ao alcance do governo dos Estados Unidos.Ele admitiu, porém, que seria "infantil" afirmar que "somos totalmente imunes aos americanos". As declarações foram feitas nesta terça em palestra no Clube Militar, no Rio de Janeiro. "Entendemos que a lei dá um poder de persuasão muito grande e sou a favor de sua aprovação. O comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), brigadeiro Carlos de Almeida Batista, já manifestou claramente que isso é importante para que a FAB seja mais eficaz em suas ações", afirmou Quírico.Segundo o militar, já houve casos em que tripulantes de aeronaves interceptadas fizeram sinais obscenos e ridicularizaram os pilotos de caças brasileiros. Ele ressaltou que a aprovação da lei não significa que a Aeronáutica vá abater aviões "a torto e a direito": "Primeiro é preciso ter absoluta certeza de que o avião transporta droga, o que é muito difícil", disse Quírico.O brigadeiro observou ainda que muitas vezes os traficantes transportam até crianças para inibir o abate pelos caças da FAB. Questionado sobre a vulnerabilidade do Sivam, cujas informações poderiam acabar nas mãos de órgãos de inteligência do governo dos Estados Unidos - país onde fica a sede da Raytheon, empresa que venceu a concorrência para a implantação de radares na Amazônia -, Quírico garantiu que os dados serão produzidos e processados por brasileiros."Para o universo de ameaças conhecido há mecanismos de segurança", disse ele. Em outro momento, porém, o brigadeiro afirmou: "A gente dizer que hoje somos totalmente imunes aos americanos é ser infantil". Ele disse também que o Sivam "vai fazer com que conheçamos um pouco do muito que os Estados Unidos talvez conheçam".Quírico afirmou que o Sivam foi aprovado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e que, desde 1997, já passou por sete auditorias. Segundo o militar, o Sivam é importante para a manutenção da Amazônia sob domínio brasileiro e para a afirmação do papel de liderança do País na América do Sul, pois os radares permitem o monitoramento do tráfego aéreo em áreas fronteiriças de países vizinhos, como a Venezuela e o Peru, que podem se beneficiar do sistema.

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