Presidente do Sinapro pode ser preso no Paraná

O secretário da Segurança Pública do Paraná, Luiz Fernando Delazari, pediu hoje a abertura de inquérito policial para investigar as atividades do presidente do Sindicato Nacional de Produtores Rurais (Sinapro), Narciso da Rocha Clara, no Estado. Ele disse que a prisão preventiva de Clara poderia ser pedida ainda durante a noite, em razão de uma manifestação que o Sinapro anuncia para amanhã em Curitiba. Delazari alegou que o pedido para a realização da manifestação enviado à secretaria estava assinado por Clara como presidente da entidade. Segundo ele, o sindicato não existe, de acordo com documento enviado pelo Ministério do Trabalho, o que configuraria falsidade ideológica. Além disso, o secretário apresentou documento da Polícia Civil de São Paulo comunicando que Clara foi preso no dia 3 de junho no Fórum de Carapicuíba, acusado de furto, falsa identidade e falsidade ideológica. Em liberdade provisória desde o dia 9 de junho, ele não poderia se afastar do município sem autorização judicial. Da ficha levantada pela secretaria consta que Clara responde a sete inquéritos criminais e que as contas do Sinapro estão bloqueadas desde a semana passada por ordem do juiz da 1ª Vara de Uruguaiana (RS), Guilherme Beltrami. Delazari alegou que a secretaria precisa garantir a ordem pública. "Esse sujeito se intitula presidente de um sindicato que não existe e, no nosso entendimento, está em Curitiba para criar conturbação social", disse. "Já temos muitos problemas no campo para trazê-los à cidade." Pela manhã, Clara, em entrevista à Rádio CBN, em Curitiba, chamou o MST de "guerrilha" e disse que o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), é "comparsa" do movimento, por não cumprir reintegrações de posse. Logo depois, Requião, na mesma emissora, chamou-o de "marginal", "malandro" e "pilantra paulista". "Agitador, criminoso de fora, no Paraná vai para a cadeia, quer seja do MST, quer do Sinapro", prometeu o governador. A Federação da Agricultura do Paraná (Faep) já tinha alertado os associados, na semana passada, de que o Sinapro é um "sindicato pirata", que teve o pedido de registro negado pelo Ministério do Trabalho. "Quem seguir a orientação do sindicato ilegal está caindo em erro e vai ter prejuízo", afirma uma nota da Faep. O advogado do Sinapro, Rafael Spadotto, disse que "inquérito não é coisa que desabone ninguém". Segundo ele, não há qualquer processo contra o Sinapro. Spadotto afirmou que a entidade está com pedido de registro no Ministério do Trabalho. A assessoria técnica do órgão opinou pelo indeferimento, mas a entidade acredita que terá parecer favorável no departamento jurídico. Ainda segundo Spadotto, o presidente do Sinapro não tem se posicionado a favor do armamento. "Ele faz de tudo para evitar confronto", acentuou.

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