Presidente do PT se recusa a comentar delação e defende tesoureiro

Durante evento com partidos de esquerda, Rui Falcão disse que 'não há nenhuma prova cotra Vaccari'

Ricardo Galhardo, O Estado de S. Paulo

27 de junho de 2015 | 17h42

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, se recusou a comentar o teor da delação premiada feita pelo empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC, cujos detalhes foram divulgados pela revista "Veja". Falcão, no entanto, voltou a defender o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, preso desde o dia 15 de abril sob suspeita de ser o operador do recebimento de propinas pelo PT.

“Continuamos defendendo ele. Não há nenhuma prova contra o Vaccari. Todas nossas doações são legais, declaradas. Vi na imprensa hoje dizerem que há um vídeo da presença dele lá (na UTC). Mas não vi este vídeo. E quem fala sobre a defesa do Vaccari, não da defesa política mas da defesa jurídica, é o advogado dele”, disse Falcão.

O presidente do PT participou de uma reunião com representantes de movimentos sociais como MST, Federação Única dos Petroleiros, UNE e políticos de esquerda ligados ao PT, PSOL e PSB neste sábado, em São Paulo.

Segundo os participantes, o objetivo é criar uma frente para se contrapor à “onda conservadora” que se forma no País. As novas revelações sobre o esquema de desvios na Petrobrás investigado pela Lava Jato foi tema de algumas análises mas não entrou formalmente na pauta do encontro. O secretário de Comunicação do PT, José Américo Dias, disse que o partido ainda precisa fazer uma avaliação mais aprofundada sobre o teor da delação de Pessoa.

“É uma coisa que precisa ser melhor avaliada. Precisamos ver o que é. O PT reitera todas suas colocações de que só recebeu doações oficiais”, afirmou. Américo destacou o fato de que o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) também é citado na lista de propinas do empreiteiro e que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) recebeu mais doações eleitorais da empreiteira na campanha presidencial do ano passado do que a presidente Dilma Rousseff.

“ É importante verificar que na campanha do ano passado a UTC doou mais para Aecinho do que para Dilma. Para Dilma foi em torno de R$ 7,5 milhões e para o Aecinho R$ 8 milhões e pouco. Na lista tem um prócer do PSDB que é o Aloysio Nunes”, disse o dirigente petista.

Três dias depois de a executiva nacional do PT aprovar uma resolução política na qual faz a defesa das empreiteiras investigadas pela Lava Jato, o ex-presidente do PC do B Renato Rabelo, presente à reunião, também defendeu as empresas. “A leniência é necessária. No mundo inteiro sempre se preservou as empresas. Aqui não?”, questionou Rabelo, que enfatizou a necessidade de separar empresários corruptos das empresas. 

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