Ed Ferreira/AE 0 12/11/2011
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Presidente do PT diz que Kassab trata partido como terceira opção

Para Rui Falcão, o prefeito já deixou claro que sua preferência é por aliança com PSDB

Elder Ogliari, correspondente de O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2012 | 18h10

PORTO ALEGRE - O presidente nacional do PT, Rui Falcão, evitou falar sobre uma eventual aliança com o PSD para a disputa pela prefeitura de São Paulo e deu a entender que tal acordo não tem como prosperar, durante entrevista coletiva nesta quarta-feira, 25, em Porto Alegre. Apesar de esquivar-se ao dizer que "quem conversa é o diretório municipal", destacou que não há constrangimentos pelas notícias recentes de que a aproximação poderia ser estudada. "Não temos nada a explicar para o eleitor a não ser apresentar nosso programa de mudança e a conjuntura eleitoral vai permitir mostrar nossa proposta à cidade", reiterou.

 

No dia 13 de janeiro, em visita ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o prefeito Gilberto Kassab teria proposto a indicação de um vice, pelo PSD, à chapa de Fernando Haddad, candidato a prefeito pelo PT. Lula sugeriu ao diretório municipal que discutisse a questão "com tranqüilidade"

 

Para Falcão, no entanto, uma aliança entre o partido e o PSD tem poucas possibilidades de se viabilizar. Os motivos seriam a preferência de Kassab por candidatos que não são do PT e a decisão do partido de ficar na oposição e apresentar projetos de mudanças para a capital paulista. "O próprio (Gilberto) Kassab tem nos colocado como terceira opção", destacou Falcão, afirmando que, para o prefeito, é "primeiro (José) Serra (PSDB), segundo (Guilherme) Afif (PSD) e terceiro (Fernando) Haddad (PT)". Diante do quadro, Falcão preferiu considerar que não é hora para tratar do assunto. "Tem muito tempo para esse tipo de conversa", complementou.

 

Falcão admitiu que, em São Paulo, o PT já conversou com partidos da base da presidente Dilma Rousseff e citou, entre eles, o PR, o PSB e o PDT. Também previu que o candidato a vice-prefeito de Haddad, ex-ministro da Educação que deixou o cargo para concorrer neste ano, deve ser escolhido entre os aliados, por consenso. "Se não houver, talvez o mais apropriado seja escolher o vice no partido que tem maior bancada desses da base aliada."

 

O presidente do PT admitiu que o prestígio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será "elemento importantíssimo" na disputa das eleições municipais deste ano. Também manifestou-se otimista com a força que a aprovação do governo da presidente Dilma Rousseff pode dar aos candidatos da sigla, mas não quis especificar qual o papel que cada um terá na tentativa de ampliar o número de prefeituras do partido. Sem traçar metas, Falcão reafirmou que o PT quer conquistar mais do que as 550 prefeituras que administra hoje, especialmente em cidades com mais de 150 mil habitantes.

 

O engajamento de Lula na campanha é tido como certo, enquanto o de Dilma é considerado improvável. "Ainda quando sua doença foi detectada, o ex-presidente disse que, assim que se recuperar, pretende fazer campanha pelo PT e pelo 13", ressaltou Falcão. Quanto a Dilma, o dirigente foi mais reticente. "Esperamos que ela continue fazendo o ótimo governo que vem realizando", comentou. "Acredito que diante da grandiosidade das tarefas de dirigir o País em meio à crise mundial, ela vai estar mais concentrada nisso do que propriamente em ir a palanques ou atividades que possam colocar dificuldades do ponto de vista de sustentação do governo", reconheceu. "Mas não há dúvida de que ela vai apoiar as candidaturas do PT."

 

Polêmica. O dirigente não quis rebater diretamente a nota oficial do PSDB, emitida na terça-feira, 24, que acusa o governo federal de "politizar" a reintegração de posse de área invadida do Pinheirinho, em São José dos Campos. "Não tenho por hábito comentar notas de outros partidos, mas me interessa a defesa daquela população, mais de mil famílias desalojadas com muita força policial, muita violência, dois mil homens armados, quando para desocupar um morro do Rio de Janeiro não teve esse efetivo, não teve um tiro", comparou. "Tomar a defesa dessa população não é fazer campanha eleitoral".

 

Falcão está em Porto Alegre para participar de atividades ligadas ao Fórum Social Temático Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental, que começou na terça-feira e prossegue até a próxima segunda-feira. Nesta quinta-feira a presidente Dilma Rousseff participa do Diálogo entre Sociedade Civil e Governos.

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