Presidente do PT contradiz secretário de Comunicação

Três dos principais dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT) negaram nesta que exista clima de preocupação no partido com a demora do presidente Lula em definir se irá ou não disputar um novo mandato na eleição deste ano. Apesar de o secretário de Comunicação da legenda e ex-ministro da Saúde, Humberto Costa, ter feito, no início da tarde, declarações categóricas nesse sentido, o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, insistiu que o clima dentro do partido legenda é o de respeitar a decisão de Lula, que pretende decidir se disputará a reeleição somente em junho. Berzoini ponderou que respeita a posição de Costa e reconheceu que os integrantes do partido podem manifestar opiniões diferentes. "Eu respeito a posição do secretário Humberto, que é uma pessoa que tem uma vasta experiência política, mas evidentemente estamos trabalhando com respeito à dinâmica e ao tempo do presidente", disse. No início da tarde, Costa disse que o PT estaria preocupado com a postura assumida por Lula, e em função disso, teria decidido por arquitetar uma mobilização para convencer o presidente a aceitar a reeleição. Ele explicou que um dos eventos que ajudaram a confirmar o clima de preocupação dentro do PT foi um encontro que teve com o próprio presidente, no qual Berzoini também estava presente. O presidente do PT insistiu que não deixou a reunião com a mesma sensação. "Evidentemente o presidente quer decidir no momento que julgar adequado sobre sua candidatura ou não". Para o assessor especial da presidência Marco Aurélio Garcia, que ocupa também a primeira vice-presidência do PT, a campanha de mobilização reflete exclusivamente o desejo do partido e dos movimentos sociais de que Lula aceite a idéia de se reeleger. Garcia admitiu que alguns dirigentes do partido possam estar apreensivos, mas negou que esse sentimento seja ostensivo ou dominante no partido. "Eu não vi nenhuma preocupação desse tipo", sustentou. Entre outras decisões, a Executiva Nacional do PT aprovou hoje um documento estabelecendo a mobilização do partido pela reeleição de Lula. A resolução ressalta que "o governo Lula, depois de três anos de mandato tendo sofrido um gigantesco cerco político em 2005, tem todas as condições de consolidar sua realização".

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