Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Presidente do PSDB-SP diz não ver elementos para impeachment

Duarte Nogueira, atualmente secretário do governo Geraldo Alckmin em São Paulo, disse que até o momento não há elementos institucionais e nem constitucionais para o pedido

JOSÉ ROBERTO CASTRO E GUSTAVO PORTO, O Estado de S. Paulo

11 Fevereiro 2015 | 17h01

São Paulo e Ribeirão Preto - O presidente do PSDB paulista e secretário dos Transportes e Logística do Estado de São Paulo, Duarte Nogueira, afirmou, em entrevista ao Broadcast Político, serviço em tempo real da Agência Estado que até o momento não há elementos institucionais e nem constitucionais para o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). No entanto, Nogueira citou o escândalo da Petrobrás e sinalizou que aparecendo esses elementos nas investigações, um pedido de impedimento da presidente pode ocorrer. 

"Até agora não há elementos institucionais e constitucionais para afirmar a questão de impeachment. Mas o Brasil tem solidez institucional. Se houver novos fatos, isso (impeachment) também não está descartado. O que não pode é haver impunidade", disse o tucano.

Nogueira, que é deputado federal licenciado, afirmou que o segundo mandato da presidente começa com a "herança ruim que ela mesma plantou" e que a série de indicadores negativos da economia é fruto do desarranjo do primeiro governo de Dilma. "Há uma série de indicadores na economia fruto do desarranjo do primeiro governo, ela colhe uma herança muito ruim que ela própria plantou, do ponto de vista fiscal, inflacionário, aumento de taxa de juros. Começa um segundo governo com muito desgaste", analisou.

Para o líder partidário, há ainda "desarranjos enormes" na base do governo na Câmara dos Deputados, iniciados durante o processo fracassado de lançar a candidatura de Arlindo Chinaglia (PT-SP) nas eleições para a presidência da Casa, vencida por Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Cunha, aliás, ganhou elogios de Nogueira. Segundo o secretário, o presidente da Câmara começou bem o mandato, pautando temas de interesse da sociedade, entre eles a reforma política. "Cunha começou bem, está afinado com o que a sociedade espera do Congresso, que é decidir sobre os grandes temas que o País espera", disse.

Cunha mostrou ainda austeridade, de acordo com Nogueira, ao marcar votações para dias normalmente de pouco movimento na Câmara, como segunda-feira e quinta-feira.

Nogueira admitiu que o PSDB teve votos nas eleições de representantes da extrema direita, que pedem inclusive a intervenção militar, mas classificou o partido como de centro-esquerda. "O PSDB é um partido de centro-esquerda, pode ter recebido votos de todos esses segmentos, mas não transita com eles. O PSDB jamais apoiou ou apoiará qualquer intervenção militar", afirmou.

O presidente do PSDB paulista avaliou ainda que a queda de popularidade do governador Geraldo Alckmin mostrada pela pesquisa "Datafolha" ocorreu na esteira das quedas também de Dilma e do prefeito paulistano Fernando Haddad (PT). "É bem diferente do nível de rejeição da presidente e do prefeito. Quando o cidadão vê esse ambiente de desânimo nacional, coloca todos os governantes em situação de desgaste. Indiretamente, o governador sofreu um pouco de tudo isso que não dependeu dele próprio", defendeu o tucano, que disse ainda que a população de São Paulo sabe que Alckmin é um "trabalhador incansável".

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