Alexssandro Loyola/PSDB
Alexssandro Loyola/PSDB

PSDB abre processo para expulsar deputado indicado pelo Centrão para cargo de aliado de Maia

Em nota, a legenda diz que Celso Sabino tomou a decisão 'sem discussão e em dissonância com o partido' 

Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2020 | 15h14
Atualizado 06 de agosto de 2020 | 16h31

BRASÍLIA - O PSDB anunciou nesta quarta-feira, 5, um processo de expulsão contra o deputado Celso Sabino (PSDB-PA). O motivo da medida drástica é a indicação do deputado tucano para o cargo de líder da Maioria na Câmara, cargo hoje ocupado por Aguinaldo Ribeiro (Progressistas-PB), um aliado do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

O pano de fundo da decisão da legenda é a disputa entre Maia e o líder do Progressistas, Arthur Lira (AL), pré-candidato ao comando da Câmara. O atual presidente da Casa deve indicar um outro nome na disputa. 

Sabino teve o seu nome escolhido para vaga de líder da Maioria por partidos do Centrão, grupo comandado por Lira. A intenção seria enfraquecer Maia ao tirar um aliado do presidente da Câmara do posto. A substituição, porém, ainda não foi oficializada. 

“Comunicamos que, ainda na tarde de hoje, serão adotadas as medidas formais para submeter, conforme regras internas, a solicitação de expulsão do deputado Celso Sabino dos quadros do PSDB”, diz nota assinada pelo presidente da sigla, o ex-ministro Bruno Araújo.

Na nota, o tucano cita ainda a posição política do partido em relação ao governo federal e critica postura do parlamentar, que tomou a decisão de aceitar a indicação para a vaga “sem discussão e em dissonância com o partido". 

O líder da Maioria é indicado pelo partido ou bloco que tem maior número de deputados. É comum ser um parlamentar alinhado ao governo. Ele tem a função de ser o porta-voz da vontade da maioria das siglas com representação na Casa.

Além de Lira, o líder do PL, Wellington Roberto (PB), também fez parte da articulação para tirar Ribeiro do posto e colocar Sabino no lugar. Os dois tentam restaurar a força do Centrão após o desembarque do MDB e DEM do “blocão”, anunciado na semana passada. O motivo foi a aproximação do grupo com o presidente Jair Bolsonaro, com a indicação de cargos no Executivo em troca de apoio em votações de temas de interesse do governo, o chamado "toma lá, dá cá".

Lira nega que a troca tenha a intenção de enfraquecer o grupo de Maia. “Mais uma vez, dar-se uma dimensão desproporcional a um fato. Caso haja mudança na Liderança da Maioria, a mesma será feita em comum acordo com os líderes em cumprimento ao regimento da Casa”, disse ele, em nota enviada ontem.

Cerca de dez partidos assinaram o pedido para a troca na liderança da Maioria. O documento ainda não é público. É necessário um despacho da Mesa Diretora da Câmara, comandada por Maia, validando o requerimento para que ele possa ser aceito ou não.  

Na terça, ao Estadão/Broadcast Político, Sabino disse ver a mudança como algo natural. “Temos jovens lideranças que estão atuando bastante nessa nova legislatura”, disse ele. “O deputado Aguinaldo é de extrema importância, preparado e está com uma missão importante agora que é a reforma tributária”, afirmou. 

O tucano afirma que foi convidado pelos líderes do Pros, Acácio Favacho (AP), do Patriotas, Fred Costa (MG), Welington Roberto e Lira. “Conversamos há alguns dias atrás e hoje acabei vindo para Brasília”, disse. 

Sabino foi um dos protagonistas da “guerra de listas” para a liderança do PSDB na Câmara, no ano passado. Dividido em duas alas, a bancada tucana expôs a queda de braço entre o governador de São Paulo, João Doria, e o deputado Aécio Neves (MG), que apoiava Sabino. No fim, para encerrar a disputa, o partido decidiu manter Carlos Sampaio (SP) na liderança.

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