Presidente do PSDB-MG pede fim de 'intrigas e fofocas'

Próximo a Aécio, deputado federal Marcus Pestana critica lançamento dos nomes de José Serra e Aloysio Nunes para postos-chave na Executiva

Eduardo Kattah, da Agência Estado

23 de maio de 2011 | 16h31

BELO HORIZONTE - A menos de uma semana da convenção nacional dos tucanos, o presidente do PSDB-MG, deputado federal Marcus Pestana, cobrou nesta segunda-feira, 23, o fim das "intrigas e fofocas internas" e disse que os principais atores do partido devem "colocar as cartas na mesa". Pestana, aliado do senador e ex-governador mineiro Aécio Neves, criticou a forma como o nome do ex-governador paulista José Serra vem sendo cogitado para o Instituto Teotônio Vilela (ITV).

Na semana decisiva da convenção, marcada para sábado, em Brasília, causou desconforto também entre os tucanos mineiros a iniciativa do presidente da Assembleia Paulista, Barros Munhoz - aliado de Serra - de "lançar" publicamente nome do senador Aloysio Nunes Ferreira (SP) para a presidência do PSDB.

"Não surgiu esse negócio explicitamente. É tudo nota (na imprensa) e especulação, ninguém assume. O Serra nunca se lançou para a presidência do ITV, nunca. Nem o Aloysio à presidência (do partido)", afirmou Pestana ao Estado. "É preciso explicitar, precisa que cada ator coloque as cartas na mesa."

Munhoz explicitou o racha e o clima pouco amistoso entre aecistas e serristas na véspera da convenção. O grupo alinhado a Aécio apoia a reeleição do deputado federal Sérgio Guerra (PE) para a presidência do partido e a indicação do ex-senador Tasso Jereissati (CE) para o ITV.

Os aecistas também querem manter o comando da secretaria-geral, atualmente nas mãos do deputado federal Rodrigo de Castro (MG). Pestana enxerga Serra apenas como integrante de um conselho de notáveis da legenda, que será defendido pelo PSDB-MG na convenção. O deputado, que faz parte da atual diretoria do ITV, ressalta que o comandante do instituto precisa ter "sintonia total" com a direção do partido. "É um órgão de formulação, é um órgão de assessoria à Executiva."

Nos bastidores, o principal argumento utilizado pelo grupo de Aécio para reduzir o poder de Serra na cúpula partidária é a necessidade de ela representar a dimensão nacional alcançada pelo PSDB.

"Tivemos a terceira derrota nas eleições presidenciais apesar do bom desempenho do Serra", destacou Pestana. "Fizemos oito governadores, que representam 50% do PIB e uma população governada pelo PSDB de 64 milhões de brasileiros, em oito estados espalhados pelas cinco regiões. O que dá a dimensão nacional do partido. É isso que nós temos de perseguir."

"Judicialização". O presidente do PSDB-MG salienta que não considera a disputa interna nenhum "crime", mas os tucanos mineiros ficaram particularmente irritados com notícias recentes de que a disputa pela nova Executiva Nacional poderia ir parar na Justiça. "A gente reclama da judicialização da política. Questões internas dos partidos têm de ser resolvida politicamente, através das instâncias partidárias, não no tapetão", disse.

Para Pestana, o PSDB vive um momento decisivo e, como partido líder da oposição, precisa se organizar para atuar no momento em que a "lua de mel com o governo Dilma acabou". "O Código Florestal e a crise do Palocci são marcos do fim da lua de mel", disse. "A convenção nacional é absolutamente fundamental e estratégica para a construção do PSDB."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.