Presidente do PSDB elogia Mendes e critica Tarso, Lula e PF

Sérgio Guerra subiu à tribuna no Senado para comentar as prisões da Operação Satiagraha, da Polícia Federal

Cida Fontes, de O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2008 | 17h29

O presidente do PSDDB, senador Sérgio Guerra (PE), comentou nesta terça-feira, 15, em discurso da tribuna, a prisão do banqueiro Daniel Dantas, do ex-prefeito paulistano Celso Pitta, do investidor Naji Nahas e outros acusados de envolvimento em esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e tentativa de suborno e criticou a atuação da Polícia Federal (PR), do presidente Luiz Inácio Lula da Silva  e do ministro da Justiça, Tarso Genro, em relação ao episódio. Guerra disse que a PF cometeu "excessos" e "exageros", afirmou que o presidente da República se limitou a dizer "o que as pessoas querem ouvir" e criticou Tarso por dar "a impressão de que está surfando na onda das denúncias, do sucesso imediato."  Veja também:Mendes diz que Tarso não tem 'competência para julgar' sua decisãoSenado vai barrar pedido de impeachment de Mendes Impeachment não tem cabimento, diz presidente do STF Presidente do STF justifica libertação de Dantas  Opine sobre nova decisão que dá liberdade a Dantas Entenda como funcionava o esquema criminoso Veja as principais operações da PF desde 2003 As prisões de Daniel Dantas "O presidente Lula deveria ser um só, dar toda a força à Polícia Federal e ao respeito à lei", disse Guerra. Lula, ao comentar as prisões, declarou que os autores de crimes só não serão "incomodados" se as autoridades não ficarem sabendo. No entender de Sérgio Guerra, "todas essas denúncias passam por dentro dos corredores do governo", e "essa não deve ser a posição do presidente da República. Não é isso o que é preciso dizer." "Temos que enfrentar a situação com coragem", continuou o presidente do PSDB. "Tirar vantagem eleitoral é coisa de líder desonesto", disse, sem especificar quem ele considera que estaria tirando proveito eleitoral do episódio. Ao criticar a atuação da PF, Guerra declarou: "Não se pode denunciar o que não se pode provar. É importante a atuação da Polícia Federal, mas não pode haver exageros e pré-julgamentos. Nenhum apoio ao exagero e à ilegalidade. O Brasil está passando por um clima de desordem, em que se divulgam pedaços de conversas gravadas ali, de conversas gravadas acolá. São acusações por todos os lados. Que país é este?" Guerra afirmou também que a Polícia Federal age de maneira correta quando enfrenta grupos de pressão, pois esses não podem tomar conta do País. Na avaliação do parlamentar, se não houver mudança radical da situação, haverá "risco para as instituições, que passarão a não valer nada." O senador elogiou a atuação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, que discordou publicamente da atuação do juiz Fausto de Sanctis, que por duas vezes mandou prender Dantas. Guerra disse que é "muito grave" o confronto entre Mendes e De Sanctis, mas fez a ressalva de que considera o momento "apropriado para se discutir" o assunto. "Pode-se fazer lei que melhore a situação. A lei está sendo quebrada todos os dias." E a responsabilidade do Congresso, em relação ao tema, não é a de criar uma CPI (comissão parlamentar de inquérito), na avaliação de Guerra, mas, "se for necessário, atualizar as leis." O discurso de Guerra foi elogiado pelo senador petista Augusto Botelho (RR). Este disse que "todo o poder deve ser dado à Polícia Federal, mas sempre cumprindo a lei."

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