Foto: Lia de Paula|Divulgação
Foto: Lia de Paula|Divulgação

PP anuncia saída da base governista e Planalto teme nova debandada de votos

Partido, apontado desde o início como peça-chave na estratégia de Dilma Rousseff de evitar o afastamento na Câmara, decidiu sair oficialmente da coalizão e vai votar pelo impeachment; oposição comemora vitória e petistas avaliam que a situação se agravou

Igor Gadelha, Valmar Hupsel Filho, O Estado de S. Paulo

12 de abril de 2016 | 19h57

BRASÍLIA - O presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), anunciou na noite desta terça-feira o desembarque do partido da gestão Dilma Rousseff. A decisão da legenda, apontada como peça fundamental pelo Palácio do Planalto em sua luta para evitar o impeachment da presidente, foi mais um duro revés na estratégia governista e fez crescer a sensação de que uma de nova debandada de apoiadores ocorra de hoje até domingo, quando o impeachment deverá ser votado no plenário da Câmara.

Desde o fim de março, quando o PMDB anunciou a ruptura com o governo, a base de apoio da petista vem se esfacelando. Nesta reta final do impeachment na Câmara, o Planalto devera contar apenas com apoios formais dos tradicionais partidos à esquerda do espectro político.

Líderes da oposição comemoraram a decisão e afirmaram que ela praticamente sela o impeachment de Dilma na Câmara. Petistas avaliam que a situação se complicou e que o Planalto terá de trabalhar dobrado nos próximos dias para reverter o quadro.

O anúncio de Nogueira foi feito logo após o dirigente receber das mãos do líder do PP na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PB), o resultado da reunião da bancada da Casa. Dos 47 deputados, 31 declararam apoio ao impeachment e 13 foram contrários - três se ausentaram, incluindo o ex-líder Eduardo da Fonte (PE). “É uma decisão que eu não defendia, não vou negar. Mas não vejo outra alternativa do que acatar a decisão da bancada”, afirmou Nogueira.

Antes de fazer o anúncio, o presidente do PP orientou os indicados do partido a entregarem suas cartas de renúncia aos cargos, em especial o ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, e os diretores-gerais do Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs) e da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), cargos cobiçados no Nordeste. No entanto, Nogueira e Ribeiro disseram que o partido não vai “perseguir ou penalizar” quem não seguir a posição majoritária da bancada.

Ex-ministro das Cidades, Ribeiro indicou uma possível mudança de posição pessoal. “Sou líder de uma bancada, tenho que acompanhar”, afirmou. O líder do PP tinha votado contra o parecer da Comissão Especial.

‘Efeito manada’. Membros da cúpula do PP afirmaram que a decisão pelo desembarque foi motivada pelo que chamam de “efeito manada” da votação des segunda-feira do parecer pró-impeachment na comissão. O documento foi aprovado por 38 votos a 27, com votos contrários de dois dos três deputados do PSD, entre eles o líder, Rogério Rosso (DF).

Além disso, o deputado Maurício Quintella (AL) deixou a liderança do PR para votar a favor do impeachment no colegiado. Segundo o parlamentar, cerca de 25 dos 40 deputados devem acompanhá-lo.

Repercussão. A decisão do PP mudou o discurso até então otimista dos deputados governistas. “Foi sem dúvida muito ruim. De qualquer forma, há uma franja de votos do PP que estará contra o impeachment”, afirmou o deputado Vicente Cândido (PT-SP). 

A oposição comemorou a decisão do PP, cujos votos são considerados fundamentais para conseguir os 342 votos mínimos para aprovar o impeachment. “O vira-vira está tão intenso que a sensação é que o barco está afundando e não tem salva-vidas para todos. E agora é correria”, disse o deputado Bruno Araújo (PSDB-PE). 

Não bastasse o revés de ver o PP debandar do governo, o Planalto também viu o PRB anunciar que suas bancadas, na Câmara e no Senado, votarão integralmente a favor do impeachment de Dilma. O partido tem 22 deputados e um senador, Marcelo Crivella (RJ). O anúncio foi feito nesta terça-feira pelo presidente do partido, Marcos Pereira. Ele estava acompanhado dos deputados do PRB e do senador. Segundo Pereira, não haverá punição a dissidentes porque “todos os parlamentares concordaram com a decisão”.

“Por unanimidade o partido decidiu votar favorável ao impeachment. Era um tema que vínhamos sendo questionados pela sociedade desde quando deixamos a base do governo para nos tornarmos independentes no Congresso”, disse.

O partido, que controlava o Ministério do Esporte, compôs a base até março, quando decidiu pela independência. O PRB decidiu, segundo Pereira, após analisar o relatório do deputado Jovair Arantes (PTB-GO) e a defesa do governo. Pesou na decisão os planos para as eleições municipais. O PRB terá candidatos em oito capitais, entre elas São Paulo, com o deputado Celso Russomanno, e Rio, com o senador Marcelo Crivella. / COLABORARAM PEDRO VENCESLAU e DANIEL CARVALHO

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