Presidente do Peru diz que não quer ser o ´anti-Chávez´

O presidente do Peru, Alan Garcia Pérez, afirmou nesta sexta-feira que seu objetivo político não é ser o "anti-Chávez", numa referência ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, seu adversário político. Em entrevista coletiva concedida após participar do encontro "Brasil-Peru: Oportunidade de Negócios e Investimentos", Garcia disse que tinha objetivos maiores. "Jamais pensei que meu objetivo de vida seria ser o anti-Chávez. Tenho objetivos maiores. Quando digo que eu e o Peru cremos em um desenvolvimento social com emprego e crescimento, se isso é diferente do que dizem outras pessoas, deixem-nas", declarou.Garcia disse que seu objetivo é unir a América Latina, não contra alguém, mas a favor da região. "Se minha linguagem se diferencia de outras linguagens, não estou aqui para dar lições ou criticar alguém, especialmente quem vem sofrendo derrotas em muitos temas nos últimos tempos. Creio que depois do ocorrido com alguns países em relação à ONU, não tenho nada a acrescentar ou quem criticar", ironizou, mais uma vez, o presidente Chávez, que recentemente perdeu a disputa por uma vaga no Conselho de Segurança da ONU.Garcia foi eleito presidente em junho deste ano numa campanha em que associou seu adversário Ollanta Humala à figura de Chávez, dizendo-se um "esquerdista responsável" que se contrapunha ao "populismo irresponsável" de Humala e do venezuelano.ConflitosAo ser questionado se aceitaria a intermediação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva numa tentativa de reconciliação com Chávez, Garcia afirmou que sua resposta dependia da mudança de opinião do presidente venezuelano em relação ao Peru. Ele se irritou com os repórteres ao ser interpelado com a informação de que o problema era entre os dois presidentes, e não entre os dois países. "Sou o presidente do Peru e estou falando como presidente do Peru."Depois, Garcia recuou e negou que houvesse qualquer conflito entre Chávez e ele. "Não tenho nenhum problema com o presidente da Venezuela e nem com a Venezuela, e por conseqüência, não tenho nenhuma necessidade de me reconciliar. Só há reconciliação quando existe um problema e, portanto, não há necessidade de interferência", afirmou. "Navegamos de forma independente e com pensamentos separados, felizmente", concluiu.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.