Presidente do PCdoB afirma que Serra 'chegou ao fim da linha'

Para Renato Rabelo, 'desespero dos tucanos' justifica entrada do ex-governador na disputa em SP

Daiene Cardoso e Elizabeth Lopes, da Agência Estado,

19 de março de 2012 | 19h11

SÃO PAULO - O presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, afirmou nesta segunda-feira, 19, que a pré-candidatura do tucano José Serra à Prefeitura de São Paulo será muito difícil. Apesar de considerar a liderança histórica do ex-governador, Rabelo avalia que Serra é um líder em declínio e que sua entrada na disputa é fruto do "desespero dos tucanos" que temem perder a Prefeitura e, num futuro próximo, a administração do próprio Estado, governado pela sigla há quase 20 anos. "Serra chegou ao fim da linha. É uma liderança em declínio", disse Rabelo, em entrevista exclusiva.

O dirigente do PCdoB aposta que, à medida que o eleitorado tome conhecimento dos candidatos das outras legendas, como Netinho de Paula (PCdoB), Fernando Haddad (PT), e Gabriel Chalita (PMDB), que representam uma renovação neste cenário, a rejeição a Serra virá à tona. Rabelo diz que, apesar de liderar as pesquisas de intenção de voto, a renúncia do tucano à Prefeitura em 2006 será lembrada. "O povo vai dizer: ''esse cara novamente aqui?'' Mas ele não deixou a Prefeitura sem terminar o mandato? Então, creio que o Serra já entrará na disputa como um corpo estranho e sua campanha será muito difícil", previu.

Além disso, o dirigente comunista avalia que o sucessor de Serra na Prefeitura, Gilberto Kassab (PSD), que foi vice do tucano na campanha vitoriosa de 2004, não conseguiu deixar uma boa marca na cidade. "A administração de Kassab é sofrível, sobretudo a área de transportes", destaca. Para Rabelo, muitos dos problemas de São Paulo são também responsabilidade do governo estadual, comandado pelos tucanos. "Os tucanos não têm moral nenhuma para falar em eficiência, em choque de gestão. Eles não enfrentaram problemas candentes em São Paulo (....) O que esses tucanos fizeram em 20 anos num Estado como este?", atacou.

Na capital paulista, Rabelo avisou que o "plano A" do PCdoB é a candidatura própria de Netinho para a sucessão municipal porque a cidade "é emblemática" para a sigla. Para isso, o partido disputa com o PT o apoio dos mesmos partidos da base do governo Dilma Rousseff (PR,PTB,PDT e PSB). "Nós instamos os outros a manterem suas candidaturas. Por que São Paulo tem de ser só PSDB e PT?", justificou. "Aliança com o PT só no segundo turno", reforçou.

Rabelo acredita que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será o fator determinante da campanha eleitoral. "Lula com a doença (câncer na laringe) ficou ainda mais querido. Isso tem um impacto muito grande", disse. Ele lembrou que Lula, apesar de seu papel de "grande liderança" do País, não impôs sua vontade ao PCdoB. "Ele nunca pediu para a gente retirar a candidatura (em prol de Haddad). Para nós vale a palavra de Lula."

Cobrança

O presidente do PCdoB reafirmou que o partido manterá, além de São Paulo, candidaturas próprias em outras nove capitais, entre elas Goiânia, Salvador, Fortaleza, Macapá, Teresina, Florianópolis, Aracaju, São Luís e Porto Alegre. Na capital gaúcha, Rabelo cobrou dos petistas apoio à candidatura da deputada federal Manuela D''Ávila, o mesmo apoio que o PCdoB deu ao então candidato e hoje governador Tarso Genro. "O Tarso se comprometeu conosco em apoiar a candidatura da Manuela. Ora, foi um compromisso assumido", cobrou. "O próprio Tarso disse agora que jogou a toalha", lamentou.

O líder nacional do PCdoB disse que não pretende misturar a questão local no Rio Grande do Sul com as negociações envolvendo outras capitais. Ou seja, a possível desistência de Netinho para apoiar o petista Fernando Haddad em São Paulo não será moeda de troca em favor do apoio do PT gaúcho à candidatura de Manuela. "O acerto que tínhamos feito com o governador (Tarso Genro) era esse, O PT tem de cumprir seus acordos. Nós não aceitamos esse tipo de situação. Nós sempre cumprimos nossos acordos", alfinetou.

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