Presidente do INSS antecipa saída do cargo para evitar desgaste eleitoral

Indicado pelo líder do governo no Congresso, Leonardo Gadelha pretende disputar vaga de deputado federal em 2018

Igor Gadelha e Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

28 Novembro 2017 | 14h50

BRASÍLIA - Temendo desgaste eleitoral com a reforma da Previdência, o presidente do INSS, Leonardo Gadelha, decidiu antecipar sua saída do governo. O executivo deve ser exonerado do cargo, a pedido, na quarta-feira, 29. No lugar dele, deve ser nomeado Francisco Paulo Soares Lopes, atualmente assessor da Presidência da Dataprev, empresa pública vinculada à Secretaria de Previdência Social. 

Como mostrou o Estadão/Broadcast em 7 de novembro, Gadelha já tinha dito a aliados que deixaria o cargo para disputar uma vaga de deputado federal nas eleições de 2018. Pela legislação, ele só precisaria deixar o posto em abril. No entanto, decidiu antecipar a saída para, segundo ele, evitar desgaste com a reforma da Previdência. Ele tinha sido nomeado em julho de 2016, por indicação do líder do governo no Congresso, deputado André Moura (PSC-SE), também responsável por indicar Lopes. 

O presidente do INSS será o primeiro integrante da equipe econômica do presidente Michel Temer a deixar o governo por causa das eleições do próximo ano. Além dele, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, têm interesse em disputar a Presidência da República em 2018. O primeiro é filiado ao PSD, enquanto Rabello, ao PSC.

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PREOCUPAÇÃO

Na área técnica do governo, há uma preocupação de que as negociações políticas de autoridades da área econômica para candidaturas em 2018 atrapalhem a votação das medidas econômicas para garantir o Orçamento da União de 2018 e as reformas, principalmente a da Previdência, principal aposta do governo. Ou pior: que haja flexibilização das propostas de olho em apoio futuro nas eleições. 

O temor também é de que o pacote vire alvo de políticos, inclusive da base, principalmente num cenário de maior crescimento e retomada do emprego, esperados pela equipe econômica e por analistas para o segundo semestre do ano que vem. 

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