Presidente do Ibope diz que eleição pode ser definida no 1º turno

Para Carlos Augusto Montenegro, vencedor da corrida eleitoral pode ser tanto Dilma quanto Serra

Ana Conceição / SÃO PAULO, Agência Estado

08 de junho de 2010 | 11h59

As eleições presidenciais deste ano poderão ser definidas no primeiro turno e o vencedor pode ser tanto a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, quanto o do PSDB, José Serra, disse nesta terça-feira, 8, o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, durante evento promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), em São Paulo. A última pesquisa do instituto, divulgada no sábado, 5, mostrou que ambos os presidenciáveis estão empatados em 37% nas intenções de voto.

 

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A declaração marca uma mudança de posição do presidente do Ibope, que em entrevista à Veja no final do ano passado disse enfaticamente que o presidente Lula não iria fazer seu sucessor e apontou José Serra como franco favorito para a eleição de 2010. Na ocasião, ele declarou que a transferência de votos de Lula para Dilma não passaria dos 15%. Em fevereiro deste ano, em entrevista ao jornalista Ricardo Kotscho, Montenegro voltou a dizer que a candidata petista não ganharia e que Serra poderia decidir a eleição ainda no primeiro turno.

 

Questionado hoje sobre sua mudança de posição, ele disse que a entrevista concedida à Veja "saiu truncada". "Afirmei na época que o presidente Lula teria dificuldade em fazer um sucessor caso esse sucessor fosse um poste", disse. "Não sabia que sairia truncado, a parte principal foi descartada, mas assumo". Montenegro elogiou a candidata do governo. "A Dilma era desconhecida, nunca disputou uma eleição, mas (é) uma pessoa séria e competente. Agora, vai ter que mostrar capacidade de liderança durante a campanha".

 

Para Montenegro, o porcentual obtido por cada candidato na última pesquisa do Ibope não deve mudar ao longo dos próximos meses e, neste sentido, o que definirá a eleição será a parcela de cerca de um terço dos eleitores que vão deixar para decidir após a Copa do Mundo. "Esse pessoal que declarou voto em Dilma e Serra é difícil de mudar. Os que definirão a eleição são aqueles eleitores mais flexíveis, que já votaram em Fernando Henrique Cardoso, no Luiz Inácio Lula da Silva. Será uma eleição definida nos detalhes", disse. Esses eleitores, segundo Montenegro, vão esperar os debates, a campanha em rádio e TV e apresentação dos programas de governo para decidir.

 

Montenegro credita o crescimento da pré-candidata petista nas últimas pesquisas de intenção de voto ao que ele definiu como ocupação de espaço e transferência de votos do presidente. "Lula transferiria votos para qualquer um. Dilma ocupou um espaço que estava vazio, mas que qualquer outro apoiado por Lula ocuparia", argumentou. "Lula vai sair da presidência como o maior presidente do Brasil. Ele talvez tenha sido a pessoa mais importante da democracia brasileira."

 

Segundo o presidente o Ibope, os 37% dos eleitores que disseram que votariam em Dilma na última pesquisa do instituto são formados por pessoas que gostam do presidente, pelas que passaram a gostar da Dilma e outras que não gostam de PSDB/Serra. Já os 37% de Serra congrega eleitores que gostam dele e que rejeitam o PT e movimentos associados a ele, como o MST. Desta vez, Montenegro não quis falar em teto de intenções de voto. "A gente tem que acompanhar as pesquisas."

 

O presidente do Ibope acredita que a participação do ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves como vice na chapa de Serra poderia agregar mais votos ao pré-candidato tucano. "Vice geralmente não agrega nada, mas neste caso seria diferente. Ele agregaria numa eleição que será definida por detalhes". Quanto à candidatura da senadora Marina Silva (PV), Montenegro acha que ela poderá, ainda, surpreender e quem sabe levar a disputa entre Serra e Dilma para o segundo turno.

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