Presidente do Conselho diz que deu espaço à defesa de Cunha para evitar questionamentos

Conselheiros mais antigos questionaram espaço dado ao advogado e lembraram que, durante a avaliação de admissibilidade do processo, não cabe apresentação de defesa do representado

Daiene Cardoso e Daniel Carvalho, O Estado de S.Paulo

24 Novembro 2015 | 18h29

BRASÍLIA - O presidente do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, José Carlos Araújo (PSD-BA), disse que optou por dar espaço na sessão desta terça-feira, 24, ao advogado Marcelo Nobre, defensor do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para evitar questionamentos futuros de cerceamento da defesa.

 

"Não quero alegação de cerceamento de defesa. Deixei a defesa falar até fora de ordem. (O caso Cunha) é uma questão atípica e achei por bem evitar (problemas), para não dizerem que estou cerceando a defesa. Não custa nada", explicou. Durante a sessão, conselheiros mais antigos questionaram o espaço dado ao advogado e lembraram que, durante a avaliação de admissibilidade do processo, não cabe apresentação de defesa do representado.

A votação do parecer prévio pela continuidade do processo por quebra de decoro parlamentar de Cunha ficará para a próxima terça-feira, 1.º, mas Araújo está disposto até a fazer uma outra sessão no dia seguinte se não for possível concluir a votação. "Tenho toda paciência do mundo", brincou. Neste terça, o deputado Sérgio Brito (PSD-BA) encabeçou o pedido de vista conjunta, adiando a análise da admissibilidade. A manobra dos aliados de Cunha é prevista no regimento.

Araújo rechaçou de pronto o pedido da defesa de Cunha para substituir o relator Fausto Pinato (PRB-SP), mas se comprometeu a ouvir a consultoria jurídica da Casa e apresentar na próxima semana uma resposta por escrito e fundamentada para sua decisão.

Ele disse que, em tese, pode mudar de posição, mas que dificilmente o fará por considerar que Pinato agiu de boa fé e com senso de justiça. O presidente do colegiado disse não esperar que haja uma "guerra jurídica" no processo contra Cunha. "Hoje fizemos o que deveríamos fazer", comentou.

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