Presidente do COI diz que segurança é prioridade 'nº 1' em Rio 2016

Jacques Rogge faz primeira visita à cidade desde anúncio de que ela sediaria Olimpíada.

Júlia Dias Carneiro, BBC

31 Dezembro 2010 | 08h42

Ao lado de Eduardo Paes, Rogge observa maquete da Vila Olímpica, no Rio

O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, disse que "segurança é a prioridade número um" no planejamento da Olimpíada de 2016.

"Temos que tomar todos os esforços para assegurar que os jogos transcorram em um ambiente de paz", disse ele em entrevista à BBC Brasil, lembrando que a responsabilidade é das autoridades públicas, e não do meio esportivo.

Rogge realiza sua primeira visita à cidade, desde o anúncio do Rio como sede da Olimpíada de 2016, em outubro de 2009. O presidente do COI esteve nos terrenos onde a vila e o parque olímpicos serão construídos, subiu o elevador recém-inaugurado em Ipanema para dar acesso a uma das favelas com Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), o Cantagalo, e visitou as obras da Linha 4 do metrô, que ligará a Zona Sul à Barra da Tijuca, na Zona Oeste.

Neste último dia do ano, ele participa do lançamento da logomarca dos Jogos Olímpicos de 2016, que será exibido às 22h00 na Praia de Copacabana, perante a festa de réveillon que deve reunir cerca de dois milhões de pessoas.

Após o lançamento e a queima de fogos na virada, Rogge diz que vai se recolher cedo para acordar no dia seguinte a tempo do primeiro compromisso de 2011: voar para Brasília para assistir à posse da presidente Dilma Rousseff, com cujo apoio ele diz ter certeza de que pode contar para a realização dos jogos.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

Durante esta semana no Rio, o governo lhe levou para uma série de visitas para mostrar as ações que está tomando para a Olimpíada de 2016. Como o senhor avalia esse desenvolvimento?

Jaques Rogge - O desenvolvimento foi avaliado por nossos especialistas e eles emitiram um relatório muito favorável, dizendo que as construções estão progredindo de acordo com os prazos e têm boa qualidade. Estamos felizes com isso.

Mas ainda está cedo para realmente ver uma infraestrutura significativa saindo do chão. Isso vai acontecer de fato daqui a dois ou três anos.

Na quarta-feira, na visita aos dois terrenos onde a vila e o parque olímpicos serão construídos, o senhor ressaltou a importância de que as construções feita para a Olimpíada não fossem grandes demais, para que pudessem permanecer sustentáveis após os jogos. O Rio corre o risco de exagerar?

Jaques Rogge - Não, porque acho que há um acordo entre os responsáveis pelas construções e os setores esportivos para encontrarmos a dimensão ideal para esses locais. É um tamanho que possa ser usado pela cidade após os jogos. Não se constrói um estádio para duas semanas de competição, e sim para as próximas gerações. Não tenho dúvidas de que essa capacidade será adaptada.

O senhor acha que os projetos para o Rio estão levando em consideração as verdadeiras necessidades da cidade para o futuro?

Jaques Rogge - Sim, o projeto é definitivamente pensado para deixar um legado positivo baseado na sustentabilidade. E o legado vai além de estádios e construções. Há o legado humano, que fica para a juventude, a renovação das favelas, muitos aspectos que deixarão um legado positivo para a cidade, o estado e também o país. Estou otimista de que esse projeto vai beneficiar os brasileiros por muitas gerações.

O Rio enfrenta desafios na área de segurança. Em novembro, tivemos uma série de arrastões, seguidos de grandes operações policiais para ocupar favelas antes dominadas por traficantes. Como o senhor vê a forma como o governo está lidando com esse problema?

Jaques Rogge - Segurança é a prioridade número um de todo evento esportivo, e isso, claro, desde o ataque terrorista em Munique em 1972, que nunca esqueceremos. Temos que tomar todos os esforços para assegurar que os jogos transcorram em um ambiente de paz.

Claro que isso é responsabilidade das autoridades públicas, e não do mundo esportivo. Sei que uma boa estratégia está em andamento e sei que autoridades públicas estão fazendo o seu melhor para trazer grandes melhorias, e todos os avanços que conquistam em sua estratégia nos tranquilizam.

O senhor acha que problemas de segurança possam afastar investidores internacionais ou mesmo visitantes que planejam vir para os jogos?

Jaques Rogge - Não, absolutamente. Pelo contrário. Acho que sediar essas organizações permitirá que as autoridades públicas empreguem mais esforços, porque ganharão mais experiência e poderão adotar medidas estratégicas.

O Brasil se esforça para se tornar um maior medalhista em Jogos Olímpicos. Há sempre uma grande pressão por partes da mídia e do público para que os atletas voltem para casa com mais medalhas, mas alguns se queixam da falta de incentivos para esportistas. Como o senhor acha que o governo tem que agir, paralelamente a toda essa infraestrutura que vai ser construída, em relação a seus atletas atuais ou do futuro?

Jaques Rogge - Sabe, atletas reclamam em qualquer parte do mundo, eles nunca estão satisfeitos. A performance do time de casa é obviamente da maior importância. O sucesso dos jogos não dependerá apenas da infraestrutura e da organização, dependerá primeiramente dos resultados alcançados por atletas brasileiros.

Se você quer ter jogos de sucesso, precisa ter atletas de sucesso, e conseguir o máximo de medalhas possível o mais cedo possível, a partir da cerimônia de abertura.

Mas estou confiante de que o trabalho feito pelo Ministério dos Esportes e pelo comitê olímpico nacional e pela federação trará bons resultados. O Brasil já teve bons resultados em Pequim e também em muitos esportes nesta temporada. É igual a Copa do Mundo: todos querem que o Brasil ganhe. É um grande desafio, mas também muito empolgante. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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