Presidente diz que tem medo de voar

Ele defende um plano de dez anos para substituir parte da frota da FAB

Luanda, O Estadao de S.Paulo

19 de outubro de 2007 | 00h00

Depois da pane no motor do avião que levava parte da comitiva na viagem pela África, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que tem medo de voar e defendeu um plano de dez anos para substituir parte da frota da Força Aérea Brasileira (FAB) que serve a Presidência. "Ou renova a frota ou vai receber notícia de que caiu avião", disse. A troca de aviões da FAB foi discutida por Lula num balanço que fez da viagem de quatro dias pelo continente africano. Ele acabou contando que dormiu pouco nos hotéis e mesmo nos deslocamentos de avião. "Passo muito tempo acordado nessas viagens, não consigo dormir no avião, medo de morrer dormindo", disse. "Quero morrer acordado." Não foi desta vez, no entanto, que o presidente se comprometeu com uma renovação completa, como desejam os militares. "Obviamente, não se pode comprar tudo de uma vez", ponderou. "Você pode fazer um plano para em dez anos renovar parte da nossa frota, e isso vale para os tanques do Exército, para os jipes e navios."Lula comparou aviões com gravadores e até com o corpo humano. "Um ser humano, quanto tem 20 anos, faz o que quiser. Mas quando tem 40 não tem jeito", disse aos jornalistas. "Uma máquina é a mesma coisa. Chega um tempo em que você tem de trocar o gravador, para não perder matéria." A FAB poderia adquirir aviões da brasileira Embraer, disse Lula. Mas ele deixou claro que não quer saber de polêmica - como a da substituição, em janeiro de 2005, do antigo Boeing 707, usado desde 1986 pela Presidência, pelo moderno Airbus, que custou US$ 56,7 milhões. O Aerolula, como a mídia e a oposição apelidaram o Airbus, conta com 55 lugares, 35 a menos que o antigo Sucatão. Lula deu o troco nos adversários da campanha presidencial de 2006, quando pesquisas indicaram que parcela significativa dos eleitores não gostou das críticas à compra do Airbus. "Não adianta ter coisas velhas que não funcionam", disse.

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